UE admite que Itália gaste mais por crise migratória

ESTRASBURGO, 14 DEZ (ANSA) - O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, reconheceu nesta quarta-feira (14) que os gastos da Itália com a crise migratória devem ficar de fora do pacto de estabilidade do bloco.   

A flexibilização das regras europeias era um pleito antigo do ex-primeiro-ministro Matteo Renzi e foi motivo de diversas trocas de farpas com o próprio Juncker. Agora, uma semana após a renúncia do ex-premier, o luxemburguês admitiu o caráter extraordinário das despesas com a emergência no Mediterrâneo.   

"Os fundos que a Itália coloca à disposição para mitigar a crise migratória não podem entrar no pacto de estabilidade. O que a Itália faz para os imigrantes - e ela faz muito - não deve provocar consequências negativas em termos de orçamento", declarou o presidente da Comissão Europeia, durante pronunciamento no Parlamento da UE.   

A lei orçamentária enviada por Roma a Bruxelas prevê um déficit de 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2017. O número está abaixo do limite de 3% imposto pelas normas europeias, mas acima da meta de 1,8% estabelecida especificamente para a Itália.   

O objetivo desse valor diferente é fazer o país iniciar um percurso de redução de sua elevada dívida pública, hoje em 130% do PIB - o limite exigido pela UE é de 60%. No entanto, a Itália não incluiu nessa conta os gastos com a crise migratória e a reconstrução das cidades atingidas por terremotos no segundo semestre devido a seu caráter "excepcional".   

Inicialmente, essa postura gerou questionamentos por parte da Comissão Europeia, que, no entanto, descarta abrir procedimentos de infração contra o país, ao menos por enquanto. Se essas despesas fossem incluídas na contabilidade do déficit, Roma teria menos margem para gastar, o que afetaria a já lenta retomada de sua economia. (ANSA)
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