Com 100 mil cópias vendidas,Ferrante vira febre no Brasil(2)

SÃO PAULO, 15 DEZ (ANSA) - Continuação.   


O anonimato - Seja por timidez, traço característico da personagem Lenù, seja por dizer que seus livros devem falar por si sós, Ferrante não revela sua verdadeira identidade. Só faz entrevistas por e-mail, não participa de eventos para promover suas obras. Sobre ela, sabe-se quase nada. Acredita-se que tenha nascido em Nápoles, já que conta com riqueza de detalhes a vida na periferia da cidade, e que seja mulher, por usar a mesma precisão para falar sobre as angústias do universo feminino.   


O mistério em torno da italiana acabou se tornando um dos motivos de seu sucesso e, ironicamente, um apelo publicitário que atrai leitores, muitas vezes mais do que a própria história narrada nos romances. "Claro que tudo pode ser visto como mercadológico, mas é algo decidido desde o começo. Não acho que seja marketing, é uma decisão até muito arriscada", diz Barbalho, da Biblioteca Azul.   


A busca por sua identidade atingiu o auge em outubro passado, quando o jornalista italiano Claudio Gatti, do diário econômico "Il Sole 24 Ore", publicou que Ferrante seria Anita Raja, tradutora que colabora com a Edizione E/O, a mesma editora da escritora. Em sua investigação, o repórter descobriu que Raja recebera remunerações incompatíveis com o trabalho de tradução e que esses pagamentos cresceram paralelamente ao aumento do sucesso de Ferrante.   


Seu marido, o escritor napolitano Domenico Starnone, já havia sido apontado anteriormente como a possível verdadeira identidade da autora devido aos estilos parecidos. As conclusões da reportagem foram rechaçadas pela Edizione E/O, que ainda criticou a suposta intromissão do jornalista, assim como fãs no mundo inteiro.   


Para o cineasta Roberto Faenza, que adaptou "Dias de abandono" para as telonas, não há mal nenhum na investigação conduzida por Gatti. "Toda a intelligentsia italiana se colocou contra esse jornalista, mas o público estava curioso para saber quem é Ferrante, então se alguém responde, não me parece uma coisa feia", diz o diretor à ANSA.   


Ele conta que teve uma "relação estranha" com aquela que define como uma "grandíssima escritora". Segundo Faenza, a Edizione E/O lhe pedira para enviar o filme à autora antes do lançamento, e ela lhe respondeu com duas ou três cartas batidas à máquina. Sem assinatura. "Quando se chega à paranoia de não assinar porque pensa que, pela análise da assinatura, alguém descobre se é masculina ou feminina, não me parece uma coisa bela. Por isso sou da opinião de que esse jornalista fez bem", acrescenta.   


O fato inegável é que a suposta revelação da identidade de Ferrante aumentou o interesse em torno de sua obra e mostrou que, ao mesmo tempo em que os leitores querem saber quem está por trás do pseudônimo, eles também não o querem. Se Lenù escreve para não deixar que sua amiga Lila desapareça, mencionar o real nome de Elena Ferrante poderia fazê-la sumir para sempre.   


(ANSA)
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