Polícia faz busca na Prefeitura de Roma e aumenta crise

ROMA, 15 DEZ (ANSA) - A Guarda de Finanças da Itália realizou na última quarta-feira (14) uma operação de busca e apreensão na sede da Prefeitura de Roma, como parte de uma investigação sobre as nomeações feitas por Virginia Raggi.   

A notícia é do jornal "la Repubblica", que diz que foram apreendidos todos os documentos relativos às indicações. Na mira das autoridades, estaria sobretudo a escolha de Salvatore Romeo, ativista do Movimento 5 Estrelas (M5S), para chefe da secretaria política da prefeita.   

Ele já era funcionário da administração municipal, mas foi afastado do cargo logo depois da vitória de Raggi e readmitido pela Prefeitura recebendo quase três vezes mais. Com isso, seu salário passou de 39 mil para 110 mil euros por ano. Após uma contestação da Autoridade Nacional Anticorrupção (Anac), o valor foi reduzido para 93 mil euros.   

Também estão sendo investigadas as indicações de Carla Raineri para chefe de Gabinete e de Raffaele Marra para o departamento de pessoal. Ao lado de Romeo e do vice-prefeito Daniele Frongia, Marra forma o núcleo duro do governo Raggi. Após a nomeação, seu irmão, Renato, ganhou um cargo no setor de turismo da cidade.   

Já Raineri protagonizou uma das maiores crises do curto período de Raggi no poder. Ex-magistrada, ela foi indicada para a principal pasta política da Prefeitura, mas diz nunca ter tido influência sobre a chefe municipal. Segundo a Anac, havia uma irregularidade na forma de sua contratação - seu salário era de mais de 190 mil euros por ano -, e a prefeita decidiu exonerá-la em 1º de setembro.   

No entanto, antes disso, Raineri entregou o cargo e provocou uma renúncia em massa na capital italiana, incluindo a do então assessor de Finanças, Marcello Minenna. Em depoimento ao procurador Giuseppe Pignatone obtido pelo "Repubblica", a ex-magistrada contou que sentia uma crescente hostilidade ao seu redor e que seu cargo era ambicionado por Frongia, Romeo e Marra.   

Além disso, ela revelou ter alertado Raggi sobre irregularidades na nomeação de Romeo, que, segundo Raineri, exercia na prática a função de chefe de Gabinete. Eleita em junho passado pelo partido antissistema e populista Movimento 5 Estrelas, a primeira prefeita mulher na história de Roma já enfrentou diversas crises desde que chegou ao poder, principalmente em relação a sua equipe.   

Na última terça-feira (13), a assessora municipal para Meio Ambiente, Paola Muraro, deixou o cargo após ter recebido uma notificação da Justiça sobre uma investigação de tráfico ilegal de lixo, abuso de poder e fraude. A campanha de Raggi foi baseada em um discurso de combate intransigente à corrupção e à falta de transparência, que cativou um eleitorado desencantado com os partidos tradicionais.   

"Buscas? Não tenho nada a esconder. Coloquei os documentos à disposição em absoluta serenidade", escreveu a prefeita em seu perfil no Twitter. A investigação, conduzida pelo procurador da República Francesco Dall'Olio, não tem ainda hipótese de crime nem suspeitos. (ANSA)
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