Vivendi nega que compra de ações da Mediaset seja ato hostil

ROMA, 15 DEZ (ANSA) - A compra de 20% das ações da empresa italiana de televisão Mediaset pelos franceses da Vivendi continua a gerar reflexos na Itália. A empresa de Silvio Berlusconi definiu a ação como "um ato hostil" e o caso vem chamando a atenção até mesmo do governo italiano.   

"Certamente, isso não foi solicitado, mas não é um ato hostil.   

Queremos aumentar e reforçar nossa posição no sul da Europa que, para nós, é estratégica. Por isso, decidimos comprar as ações da Mediaset", disse uma fonte da Vivendi à ANSA nesta quinta-feira (15).   

A escalada dos franceses começou na terça-feira (13), com o anúncio de que eles tinham comprado 3% das ações da empresa controlada por Berlusconi. Em um segundo comunicado, ainda na terça, eles aumentaram a cota para 12,32%. Ontem, a empresa de Vicent Bolloré anunciou que sua companhia já tinha 20% das ações.   

A rápida escalada no mercado gerou diversas reuniões de emergência entre Berlusconi e seus dois filhos envolvidos: Marina, presidente da Fininvest - a holding que administra todas as empresas da família -, e Pier Silvio, CEO da Mediaset.   

Como primeira resposta, os Berlusconi ampliaram a fatia de ações da Fininvest na Mediaset para 39,775% - próximo ao limite de compra, que é de 40%. Depois, em nota assinada pelo ex-premier, classificaram a aquisição de "ato hostil" e que "não temos nenhuma intenção de deixar que qualquer um tente redimensionar nosso papel de empreendedores".   

Tudo isso ocorre em meio a uma ação judicial da Mediaset contra a Vivendi. As duas empresas assinaram um acordo no início deste ano em que se comprometiam a comprar 3,5% das ações de cada uma e que os franceses comprariam a divisão de televisão paga dos italianos.   

No entanto, após o acordo ser assinado, a Vivendi solicitou alterações no contrato, causando a ira da empresa de Berlusconi, que entrou com uma ação na Procuradoria de Milão - em um processo que promete se arrastar por muito tempo.   

Mas, por causa da compra de ações desta semana, a Fininvest entrou com outro pedido na Procuradoria contra os franceses.   

Desta vez, a ação pede que seja investigada uma manipulação de mercado pela Vivendi.   

- Governo: O governo italiano está monitorando a situação e, hoje, o ministro para o Desenvolvimento, Carlo Calenda, informou que o Gabinete de Paolo Gentiloni tem "o absoluto respeito pelas regras de mercado".   

No entanto, Calenda diz que essa situação parece "uma tentativa, inesperada, de uma escalada hostil a um dos maiores grupos midiáticos italianos" e que não é "a maneira mais apropriada para reforçar a própria presença na Itália".   

De acordo com o jornal "La Repubblica", o próprio Gentiloni teria se mostrado preocupado com a situação. "Aqui não está em jogo apenas a empresa de Berlusconi, mas a partida é muito maior e não podemos ficar olhando", teria dito segundo a publicação.   

- Telecom Italia: Além da participação na Mediaset, a Vivendi é a principal acionista do grupo Telecom Italia (que controla a TIM Brasil).   

Atualmente, após diversas compras de ações, os franceses têm 24,9% das ações da empresa.   

Hoje, no entanto, o presidente da Telecom, Giuseppe Recchi, informou que a companhia não tem relação com as novas aquisições de Bolloré.   

"Estamos totalmente alheios ao caso, não temos envolvimento nem direto, nem indireto", disse Recchi em coletiva de imprensa em Milão. (ANSA)
Veja mais notícias, fotos e vídeos em www.ansabrasil.com.br.


Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos