Banco mais antigo do mundo só tem liquidez para 29 dias

MILÃO, 16 DEZ (ANSA) - O banco italiano Monte dei Paschi di Siena (MPS), que vive uma grave crise financeira e é considerado o mais antigo ainda em atividade no mundo, tem liquidez para apenas 29 dias.   

O alerta foi feito nesta sexta-feira (15) pelo Banco Central Europeu (BCE), ao divulgar as motivações para rejeitar o adiamento do aumento de capital no MPS. "A situação de liquidez do banco se deteriorou progressivamente até atingir, depois do referendo [de 4 de dezembro], um horizonte temporal de 29 dias", diz o documento.   

Após esse período, a instituição não teria mais dinheiro para cobrir as próprias necessidades. Além disso, está um dia abaixo do limite de "tolerância de risco" fixado pelo próprio MPS. A situação de incerteza provocou uma hemorragia de depósitos na instituição italiana, que entre 30 de setembro e 13 de dezembro viu saírem de seu caixa 6 bilhões de euros.   

Desse total, 2 bilhões foram retirados depois do referendo constitucional de 4 de dezembro, cujo resultado negativo derrubou o governo de Matteo Renzi e aumentou a preocupação do mercado quanto à capacidade da Itália de evitar a quebra do MPS.   

Em 2016, o banco já perdeu quase 20 bilhões de euros.   

Entenda - Fundado em 1472, na cidade toscana de Siena, o Monte dei Paschi vive há anos uma grave crise financeira que o deixou à beira da insolvência. A principal razão para isso é a elevada presença de créditos deteriorados - empréstimos que dificilmente serão pagos - em sua carteira.   

Outros bancos italianos vivem situação semelhante, mas o MPS é o mais exposto de todos, com um terço de sua carteira tomada por ativos tóxicos. Há muitos motivos para o aumento do nível de créditos deteriorados na instituição, e uma delas certamente é a crise econômica que atinge a Itália desde 2008.   

Com a piora do cenário financeiro e o crescimento do desemprego, muitas pessoas e empresas não conseguiram mais pagar as prestações dos empréstimos tomados, aumentando a inadimplência.   

No entanto, essa situação também explica-se pela negligência de dirigentes bancários que sempre usaram a amizade para fazer negócios, emprestando a companhias e políticos próximos quantias vultosas que dificilmente seriam restituídas.   

Para tentar sair da crise, o MPS iniciou um programa de conversão de obrigações subordinadas em ações, mas atraiu pouco interesse dos investidores devido ao elevado risco de se tornar acionista do banco. Quem aceitar a troca - que poderá ser feita até 21 de dezembro - terá de reinvestir a mesma quantia no aumento de capital que será realizado até o fim deste ano.   

As obrigações subordinadas são investimentos de alto risco que, em caso de insolvência, só são pagos depois de todos os outros créditos devidos pelo banco. No entanto, se o MPS ficar insolvente, o governo pode aprovar um decreto para fazer um "bail-in", ou seja, quando o resgate é pago apenas por acionistas ou por quem apostou na solidez da instituição comprando obrigações subordinadas.   

Por isso, muitos não estão vendo vantagem na troca. Segundo o Monte dei Paschi, cerca de 40 mil investidores possuem ativos desse tipo, e boa parte deles são aposentados ou cidadãos sem cultura financeira para avaliar seu risco.   

O banco ainda tentou adiar o aumento de capital para ganhar mais tempo, porém recebeu um "não" do Banco Central Europeu devido à falta de liquidez. Ainda assim, o objetivo da operação é arrecadar 5 bilhões de euros. Se isso não acontecer, provavelmente o governo terá de intervir para resgatá-lo. (ANSA)
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