Em última coletiva, Obama diz que Rússia é país fraco

NOVA YORK, 16 DEZ (ANSA) - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse nesta sexta-feira, dia 16, durante a sua última coletiva de imprensa como mandatário do país, que não há dúvidas que a Rússia interferiu na campanha eleitoral norte-americana de novembro deste ano ao hackear as contas de emails do Partido Democrático.   

"Trata-se de fatos baseados em uma pesquisa uniforme feita por todas as agências de inteligência", disse o chefe de Estado na Casa Branca que afirmou que a candidata democrata Hillary Clinton acabou não sendo "tratada de maneira justa nas eleições".   

O atual presidente norte-americano foi bem enfático sobre o assunto, dizendo para a Rússia "parar" com o hacking por que os Estados Unidos também têm a capacidade de fazer o mesmo com o governo de Vladimir Putin. "Quero mandar uma mensagem clara para a Rússia e para os outros: não continuem com isso por que podemos começar a fazê-lo também".   

Obama também disse que o país russo é "uma nação menor" e "mais fraca". "Sua economia não produz nada que alguém queira, com exceção de gás e armas. Eles não inovam", afirmou mandatário.   

Obama também falou que "não muita coisa acontece na Rússia" sem Putin, mas não acusou o seu homólogo de ter ligações pessoais com os casos de hacking nos EUA, limitando-se apenas a dizer que os crimes aconteceram "nos níveis mais altos do governo russo".   

Além disso, o mandatário também afirmou que Putin pode "enfraquecer" os Estados Unidos "como ele está tentando enfraquecer a Europa" se o país começar a "comprar as noções de que é ok intimidar a imprensa ou prender dissidentes". Ainda sobre o caso de hacking da Rússia, Obama criticou a posição de apoio ao país pelos republicanos, disse que o ex-presidente "Ronald Reagan estaria rolando na sua tumba" com essa ideia e ainda mandou indiretamente um recado sobre o assunto para seu sucessor, o presidente eleito Donald Trump.   

"A minha esperança é que o meu sucessor tenha o mesmo tipo de preocupação e de determinação no combate a certas interferências", afirmou Obama. No entanto, o presidente também disse que Trump "escutou" as "sugestões bastante específicas" que ele fez sobre o assunto, mas que não pode confirmar que "ele irá implementá-las". Mesmo assim, Obama afirmou que as suas "conversas foram cordiais" e não "defensivas".   

Na semana passada, a agência de inteligência norte-americana CIA concluiu que a Rússia interveio nas eleições presidenciais dos Estados Unidos deste ano em favor do candidato republicano Donald Trump, que acabou saindo vitorioso.   

Segundo a agência, que depois recebeu o apoio de outras nas investigações, à medida que a campanha eleitoral se concluía, o governo russo, e talvez até Putin, ajudou o magnata a vencer a ex-secretária de Estado norte-americana Hillary Clinton ao mandar hackear os emails do Partido Democrata e divulgá-los aos poucos em páginas do WikiLeaks. (ANSA)
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