Líder do M5S toma distância de prefeita de Roma após prisão

ROMA, 16 DEZ (ANSA) - O humorista Beppe Grillo, líder e fundador do partido populista e antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S), tomou distância da prefeita de Roma, Virginia Raggi, após a prisão de um de seus principais assessores.   

Grillo reuniu a cúpula do M5S em um hotel na capital italiana para discutir a crise que ameaça sua principal vitrine e que culminou na detenção do chefe do Departamento de Pessoal, Raffaele Marra, acusado de corrupção.   

"Eu tinha te avisado sobre Marra, agora faça alguma coisa", disse Grillo durante uma conversa por telefone com Raggi. O líder do movimento ainda pediu para a prefeita verificar todos os atos realizados pelo assessor na administração municipal.   

Marra, de 44 anos, fazia parte do núcleo duro do governo e era considerado o "braço direito" de Raggi. O caso que o levou à cadeia começou em 2013, quando ele era chefe do departamento de políticas habitacionais de Roma, no governo de centro-direita comandado por Gianni Alemanno, que hoje é réu por corrupção.   

O agora ex-assessor de Raggi é acusado de ter recebido suborno para comprar por valor abaixo do mercado alguns apartamentos da Enasarco, entidade previdenciária do setor de comércio. A polícia também prendeu Sergio Scarpellini, empreiteiro suspeito de ter dado propinas a Marra.   

Em um breve pronunciamento à imprensa, a prefeita disse que o M5S "errou" ao confiar no assessor e tentou minimizar a prisão, afirmando que Marra era apenas um dos 23 mil funcionários da Prefeitura. No entanto, ele já era questionado por membros do movimento, principalmente por causa de sua ligação com Alemanno.   

Além disso, após a nomeação de Marra, seu irmão, Renato, ganhou um cargo no setor de turismo da Prefeitura. A senadora do M5S Paola Taverna, que era contra a indicação, disse nesta sexta-feira (16) que pedir desculpas "não basta".   

Não é a primeira vez que Raggi é questionada pela cúpula do movimento. Em setembro, as bases do partido a criticaram por ter nomeado Paola Muraro, que é investigada por tráfico ilegal de lixo, abuso de poder e fraude, para a pasta de Meio Ambiente. No início desta semana, Muraro recebeu uma notificação da Justiça e renunciou ao cargo.   

O M5S defende que pessoas com problemas com a lei não exerçam funções no poder público e costuma exigir de todos os seus membros que mantenham a mesma postura. Atualmente, o movimento disputa com o centro-esquerdista Partido Democrático (PD) o posto de principal força política da Itália e acalenta o sonho de assumir o governo nacional nas próximas eleições.   

Para isso, é determinante que Raggi, primeira prefeita mulher na história de Roma, consiga fazer uma administração bem avaliada e longe de escândalos, mas seus cinco meses no cargo já foram marcados por diversas crises, principalmente ligadas a seus assessores. (ANSA)
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