Entenda como o autor do atentado de Berlim morreu na Itália

ROMA E MILÃO, 23 DEZ (ANSA) - O tunisiano Anis Amri, principal suspeito de cometer o atentado terrorista contra o mercado de Natal de Berlim, estava sozinho e carregava uma arma calibre 22 no momento em que foi interceptado por policiais de Milão nesta madrugada (23). "Parecia um fantasma", disse o superintendente da polícia de Milão, Antonio de Iesu. "É absurdo que um terrorista deste tipo tenha sido encontrado casualmente durante uma operação normal de segurança, mas essa é a realidade", admitiu o oficial. Anis Amri foi parado casualmente na praça Primo Maggio, na cidade de Sesto San Giovanni, na província de Milão, norte da Itália, por volta das 3h15 locais (00h15 de Brasília). A praça conta com uma parada de metrô e uma estação de trem. O tunisiano de 24 anos foi interceptado por dois agentes policiais em uma operação de rotina. Os oficiais pediram seus documentos, mas o jovem se negou a entregar e atirou contra os agentes, que revidaram e mataram o suspeito de terrorismo. "Ele não carregava outras armas, nem aparelho celular. Apenas uma faca e uma centena de euros. Foi 'neutralizado' sozinho e não há indícios de ligação com outras pessoas", informou Antonio de Iesu.   

"Ninguém percebeu sua presença. Era apenas um controle de rotina na cidade. Ninguém sabia que ele era um assassino. Ele parecia alguem normal pela zona de Milão", confessou o superintendente. Agora, as autoridades italianas, por meio de uma investigação da Promotoria de Monza e pela Direção Antiterrorismo de Milão, tentarão descobrir o trajeto feito pelo tunisiano até chegar à Itália. "Devemos entender o porquê um sujeito deste tipo estaria em Sesto San Giovanni. Armi passou pela estação central de Milão, isto foi confirmado em imagens. Mas como ele chegou a Sesto e por quê? Não sabemos disso", disse Iesu.   

Uma das hipóteses é que exista uma célula terrorista em Sesto San Giovanni ou que o tunisiano buscasse apoio e cobertura de algum extremista perto de Milão. No momento em que foi interceptado pela polícia, Anis Amri carregava na mochila bilhetes de trem usados. Ele aparentava estar tranquilo e iria retirar a mochila das costas para a verificação policial, mas repentinamente sacou a arma e disparou. A arma que ele levava era de calibre 22 e de fabricação alemã, porém, ainda não se pode concluir se foi a mesma usada durante o atentado em Berlim. O tunisiano também não fez nenhuma declaração de cunho extremista no momento da abordagem policial, como "Allah Akbar", mas xingou os agentes italianos de "bastardos". Na hora em que foi alvejado pelos policiais, sua identidade ainda não tinha sido confirmada. Apenas depois as autoridades da Itália e da Alemanha concluíram que se tratava do principal suspeito do ataque em Berlim. Digitais e pegadas de Anis Amri foram encontrados dentro do caminhão usado no atentado terrorista de Berlim, que na noite de segunda-feira passada (19) deixou 12 mortos e 48 feridos. O veículo tinha placa da Polônia, teria sido sequestrado e usado para atropelar o público do mercado de Natal da capital alemã. O atentado foi assumido pelo grupo extremista Estado Islâmico (EI) nas redes sociais, mesmo com o autor vivo e à solta pela Europa. Nesta sexta-feira, a revista do EI, a Amaq, divulgou um vídeo no qual Anis Amri, antes de cometer o ataque em Berlim, jura lealdade ao grupo e diz querer vingar a morte de muçulmanos pelo Ocidente. Ele também prometeu matar as pessoas "como porcos". As autoridades acreditam que Anis Amri teria chegado à Itália na quinta-feira (22), passando pela França. O suposto terrorista teria andado por Chambéry, na região francesa de Savoia. De lá, ele teria se dirigido para Turim, de onde pegou um trem para a Estação Central de Milão, por volta da 1h da manhã de hoje (22h de quinta-feira, no horário de Brasília). Amri, depois, foi direto para Sesto San Giovanni, onde caiu numa blitz policial e acabou sendo morto. Mas o tunisiano já tinha passado pela Itália antes de cometer o atentado em Berlim. Ele deixou seu país em 2011 e entrou na Itália. As autoridades italianas prenderam o jovem por crimes menores e ele passou quatro anos nas prisões do país, até 2015.   

Após cumprir a pena, ele deveria ser extraditado, mas fugiu para a Alemanha. De acordo com o irmão dele, Abdelkader Amri, ele pode ter se radicalizado durante o período em que ficou preso na Itália.   

(ANSA)
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