Mattarella descarta eleição e pede prioridade ao trabalho

ROMA, 31 DEZ (ANSA) - Em sua tradicional mensagem de fim de ano, o presidente da Itália, Sergio Mattarella, fez um retrato duro e pragmático da situação do país, que ainda luta para sair da crise econômica e convive com o crescimento de forças populistas.   

O pronunciamento, realizado na sede da Presidência, em Roma, durou menos de 20 minutos, tempo suficiente para Mattarella dizer que o problema número um da nação continua sendo o desemprego. "Apesar do aumento no número de ocupados, ainda há muitas pessoas para quem o trabalho falta há tempos ou não é suficiente para assegurar uma vida digna. Combater a desocupação e a pobreza de tantas famílias é um objetivo a ser perseguido com decisão. Esse é o primeiro horizonte do bem comum", declarou.   

Além disso, o presidente salientou que existe uma "fratura" entre o norte e o sul da Itália, assim como entre regiões centrais e periféricas. "Barreiras e dificuldades dividem também o trabalho masculino daquele feminino, penalizando as mulheres.   

Aumentar a coesão do nosso país significa torná-lo mais forte.   

Desigualdade, marginalidade e insegurança minam as possibilidades de desenvolvimento", destacou.   

Mattarella também abordou a crise de refugiados que atinge a Europa e afirmou que a "equação 'imigrante igual terrorista' é injusta e inaceitável. "No entanto, devem ser realizados todos os esforços e medidas de segurança para impedir que, no nosso país, se enraízem presenças ameaçadoras ou pregadores da morte", disse, agradecendo às forças de ordem por terem protegido a Itália ao longo do ano.   

Outro tema mencionado pelo presidente foi o dos terremotos que sacudiram o centro da península no segundo semestre, deixando 299 mortos. Segundo o chefe de Estado, as populações afetadas não podem perder a esperança de ver suas vidas recuperadas novamente. "Reconstruiremos aquelas cidades tão belas e cheias de história", garantiu.   

Crise política - Mattarella, 75 anos, foi eleito presidente no início de 2015, mas enfrentou o momento mais delicado de seu mandato em dezembro de 2016, após a queda do primeiro-ministro Matteo Renzi por conta de sua derrota em um referendo constitucional.   

Pressionado pela oposição a dissolver o Parlamento e convocar eleições, o chefe de Estado saiu em defesa das instituições e pediu a conclusão da atual legislatura, que termina em 2018.   

Para isso, nomeou como premier o chanceler de Renzi, Paolo Gentiloni, que manteve a composição do governo praticamente inalterada, Para o presidente, era preciso "resolver a crise rapidamente".   

A decisão irritou o antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S), que desponta como principal ameaça à hegemonia do centro-esquerdista Partido Democrático (PD) no comando do país, e também a ultranacionalista Liga Norte. "Recebi nos últimos dias numerosas cartas, algumas de consenso, outras criticando minhas decisões.   

Li com atenção essas últimas. Faz bem escutar e respeitar as outras opiniões. Trata-se de considerações de pessoas que preferem eleições imediatas, em fevereiro, para ter um novo Parlamento", disse.   

Contudo, ele lembrou que o país não possui condições de ir às urnas atualmente, já que os dois ramos do Congresso possuem leis eleitorais diferentes, e a da Câmara dos Deputados ainda está sub judice na Corte Constitucional, que se pronunciará sobre o tema em 24 de janeiro. "É preciso ter leis eleitorais claras e adequadas para que os eleitores possam exprimir com eficácia sua vontade. Essas regras, hoje, não existem. Para a Câmara, a lei é fortemente majoritária. Para o Senado, totalmente proporcional", afirmou. (ANSA)
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