Líder da oposição quer 'júri popular' para jornais na Itália

ROMA, 3 JAN (ANSA) - O líder do Movimento Cinco Estrelas (M5S), o humorista Beppe Grillo, propôs nesta terça-feira (3) que seja criado um "júri" para avaliar as notícias "falsas" publicadas por jornais e revistas.   

"Proponho não um tribunal governativo, mas um júri popular que determine a veracidade das notícias publicadas pela mídia.   

Cidadãos escolhidos por sorte, para os quais serão submetidos as matérias dos jornais e do serviços dos telejornais. Se uma notícia for declarada falsa, o diretor dever publicar desculpas e divulgar a versão correta na abertura ou na primeira página", afirmou o líder populista.   

Grillo ainda acusou os políticos italianos rivais, como o ex-premier Matteo Renzi, o atual Paolo Gentiloni e o presidente da República, Sergio Mattarella, de serem "contra a internet" e de "quererem dizer o que é verdadeiro ou falso na internet".   

As acusações, publicadas em seu blog, também dizem que os jornais e telejornais italianos de serem os "maiores fabricantes de notícias falsas do país". O ataque do líder do M5S foi motivado por uma denúncia contra uma das integrantes da sigla pelo jornal "La Stampa" e que o humorista considera "totalmente falsa".   

Em contrapartida, o partido M5S é acusado repetidamente de ser o responsável por dezenas de contas nas redes sociais que publicam notícias falsas sobre seus rivais. Até mesmo a mídia norte-americana chegou a acusar o partido liderado por Grillo de espalhar notícias mentirosas para confundir os eleitores antes do referendo do dia 4 de dezembro contra reforma constitucional.   

- Reações: Assim que publicou sua matéria, inúmeras reações partiram de jornalistas e de líderes políticos dos mais diversos partidos.   

O diretor do telejornal da emissora "La 7", Enrico Mentana, disse que abrirá um processo contra Grillo. "Na expectativa pelo júri popular, peço a Grillo para procurar um advogado.   

Fabricadores de notícias falsas é uma ofensa não aceitável para todos os trabalhadores do tg [telejornal] que dirijo e a mim, que tenho a responsabilidade da lei. Ele responderá penal e civilmente", escreveu em seu Facebook.   

O senador do partido Força Itália, do ex-premier Silvio Berlusconi, Francesco Giro, disse que o líder do M5S quer "impôr uma mordaça aos jornais e aos tgs". "Primeiro, ele absolve todos os investigados de seu Movimento e agora quer atingir todos os jornalistas. Parece aterrorizado com o tsunami que está prestes a se abater sobre o Campidoglio", disse Giro referindo-se ao novo "código de comportamento" do M5S e à constante crise no governo de Roma, da representante do partido, Virginia Raggi.   

O líder da Esquerda Italiana, Arturo Scotto, ironizou a ideia de Grillo pedindo para ele "explicar se o seu modelo é igual ao de Erdogan", em uma referência ao controle de notícias que o presidente da Turquia, Recepp Taiyyp Erdogan, exerce no país.   

Já o deputado do Partido Democrático, atual governo, Stefano Pedica, também ironizou o "código de conduta", que amenizou as punições para os investigados pela Justiça, e pediu seu os "novos juízes precisarão jurar sobre o código cômico do M5S".   

Considerado antissistema, o partido de Grillo diz não estar "nem à direita e nem à esquerda", tendo um forte discurso de transparência e populista. Antes dessa "reforma" no código, citada pelos parlamentares, o partido proibia que alguém que tivesse respondendo um processo judicial concorresse a uma vaga pública - seja para Prefeitura ou para ser assessor. Caso estivesse no cargo, tinha que se afastar da função.   

No entanto, mesmo com essa linha mais controladora, os membros do Movimento vem se envolvendo em diversos escândalos, desde investigações sobre assinaturas falsas até casos de corrupção, como o que envolvem diversos assessores da Prefeitura de Roma.   

Mesmo assim, o M5S é atualmente a maior sigla opositora ao governo italiano e teve papel fundamental para a derrota do então premier Matteo Renzi na tentativa de fazer uma mudança na Constituição. (ANSA)
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