Militantes do M5S aprovam código de ética 'flexível'

ROMA, 03 JAN (ANSA) - Com 91% dos votos, a militância do partido populista e antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S) aprovou um novo código de ética apresentado pelo seu fundador, o humorista Beppe Grillo, e que flexibiliza a postura da legenda em relação a membros investigados pela Justiça.   

Até então, o M5S exigia que políticos envolvidos em inquéritos se demitissem imediatamente, mesmo que fossem inocentes. Já as novas regras dizem que, em qualquer fase do procedimento penal, um "porta-voz" do movimento, "pensando em sua imagem", pode se autossuspender, sem que isso implique em admissão de culpa.   

Além disso, o código de ética proposto por Grillo afirma que não serão adotadas sanções automáticas contra membros do partido que receberem notificações judiciais, ao contrário do que ocorria até então. Com isso, o M5S passa a reconhecer publicamente o princípio da presunção de inocência, reviravolta que vem sendo tratada pelos jornais italianos como uma ajuda à prefeita de Roma, Virginia Raggi.   

Há pouco mais de seis meses no cargo, a chefe municipal foi questionada em diversas ocasiões por ter incluído em sua equipe pessoas investigadas pela Justiça, o que provocou divergências dentro do movimento. Um de seus assessores, o ex-chefe do Departamento de Pessoal de Roma, Raffaele Marra, foi preso no âmbito de um inquérito sobre corrupção.   

A votação do novo código de ética foi realizada no blog de Grillo e contou com a participação de 40.954 militantes, dos quais 37.360 aprovaram o texto. Daqui para frente, a "linha vermelha" para membros do M5S será a condenação: os integrantes do partido que forem sentenciados em primeira instância terão de renunciar a seus cargos ou se desfiliar.   

Além disso, políticos investigados terão de informar imediatamente a liderança da legenda. Também foram criados dois comitês para avaliar os casos de membros envolvidos em inquéritos, mas a palavra final sobre eventuais expulsões ou suspensões será sempre de Grillo.   

Atualmente, o M5S é a maior força de oposição na Itália e governa duas das principais cidades do país, Roma e Turim.   

(ANSA)
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