Sigla de oposição da Itália deixa grupo de Farage na UE

ROMA, 9 JAN (ANSA) - O partido italiano Movimento Cinco Estrelas (M5S) fez uma votação online e decidiu deixar o grupo dos eurocéticos no Parlamento Europeu, informou o líder da sigla, o comediante Beppe Grillo, nesta segunda-feira (9).   

Com isso, a sigla de oposição ao governo da Itália deixa o EFDD ("Europe of Freedom and Direct Democracy"), liderado pelo britânico Nigel Farage, e se une aos europeístas liberais do Alde ("Alliance of Liberals and Democrats for Europe).   

"Participaram 40.654 inscritos certificados. Votaram para a mudança ao Alde 78,5% dos votantes, equivalentes a 31.914 inscritos, 6.444 votaram pela permanência no EFDD e 2.296 para ir para os não inscritos", informou Grillo.   

No texto, o humorista afirma que os caminhos do M5S e do líder do Partido pela Independência do Reino Unido (Ukip) "se dividiram" e que a decisão se deve porque o M5S quer ir a um grupo político no Parlamento Europeu onde "poderá enfrentar com mais concentração os próximos desafios".   

O líder do Alde, Guy Verhofstadt, celebrou a nova parceria dizendo que os dois "compartilham dos valores centrais da liberdade, da igualdade e da transparência" e que terão mais força para lutar pela "reforma da eurozona", sendo que "os direitos e liberdades" são fundamentais.   

No entanto, a votação convocada na última hora por Grillo gerou muitas críticas aos partido. Nos comentários do texto que informa o resultado das eleições, muitos acusam o líder do M5S ter ter feito "tudo às escuras", sem fazer um debate profundo com os membros. "Caro Grillo, hoje você perdeu 30% dos eleitores", escreveu um dos membros do fórum.   

Outros ironizaram dizendo que, a partir de hoje, a legenda virou o "PD5S", usando a sigla do Partido Democrático - que governa a Itália e maior rival político dos "grillinos" - com o nome do M5S.   

- Histórico: O Movimento 5 Estrelas nasceu em 2009 e logo chacoalhou a política italiana, até então polarizada entre a centro-esquerda herdeira do Partido Comunista - hoje representada pelo Partido Democrático (PD), do primeiro-ministro Paolo Gentiloni - e a centro-direita liderada por Silvio Berlusconi. Com um discurso crítico às legendas tradicionais, o movimento diz ser um "não-partido", não sendo "nem de direita nem de esquerda", e todas as posições importantes tomadas pelo M5S são votadas pelos seus militantes no blog do comediante. Além disso, a sigla se diz contra o euro, embora seja a favor da União Europeia. Atualmente, é a maior força opositora ao governo da Itália.   

Fonte: Agência Brasil (ANSA)
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