Após troca fracassada, M5S continua em grupo eurocético

ROMA, 10 JAN (ANSA) - Após sua primeira e fracassada tentativa de entrar para o establishment político, o partido populista e antissistema italiano Movimento 5 Estrelas (M5S) continuará integrando o grupo eurocético Europa da Liberdade e da Democracia Direta (EFDD) no Parlamento da União Europeia.   

Em uma reunião realizada nesta terça-feira (10), o Partido pela Independência do Reino Unido (Ukip), membro mais representativo do EFDD, decidiu manter a aliança com o M5S, evitando que a sigla do humorista Beppe Grillo ficasse isolada em Bruxelas.   

"Continuaremos a trabalhar juntos no grupo EFDD. Estou feliz por dizer que todas as divergências com o movimento de Beppe Grillo foram resolvidas de maneira amigável", declarou o presidente do grupo eurocético, Nigel Farage, que liderou a campanha pela chamada "Brexit".   

Ukip e M5S, que detêm, respectivamente, 20 e 17 parlamentares dentro do EFDD, vinham em rota de colisão havia meses, o que fez Grillo negociar uma improvável adesão à europeísta Aliança dos Democratas e Liberais pela Europa (Alde), grupo parlamentar também conhecido pela defesa das privatizações e da liberalização da economia, ideias rechaçadas pelo Movimento 5 Estrelas na Itália.   

A troca de grupo no Parlamento Europeu foi submetida a votação no blog do humorista e aprovada por ampla maioria, mas acabou barrada pelos membros da Alde. Segundo o M5S, a aliança foi implodida por "culpa do establishment".   

Com isso, o partido viu-se em um beco sem saída. Se o Ukip decidisse pelo fim da parceria com o M5S, o movimento não integraria nenhum grupo no Parlamento Europeu e ficaria isolado em Bruxelas, perdendo influência, escritórios, funcionários e dezenas de milhares de euros em financiamento.   

"Após algumas poucas mudanças administrativas, continuaremos nosso trabalho dentro do EFDD. A campanha de Grillo por um plebiscito na Itália sobre o euro está ganhando força, sempre admirei seu trabalho", ressaltou Farage. Apesar de não ser contra a UE, como o Ukip, o M5S defende a saída de Roma da zona do euro.   

No entanto, a fracassada troca de grupo no Parlamento Europeu irritou as bases do Movimento 5 Estrelas, que usaram a caixa de comentários do blog de Grillo para expressar seu descontentamento. "A Itália, para não terminar que nem a Grécia, deve sair do euro, então me digam o que diabos vocês queriam fazer com a Alde", escreveu um militante.   

"Dizer que ir com os europeístas convictos da Alde é a resposta certa para quem quer mudar o sistema... Me desculpem, mas vocês enlouqueceram", disse outro. Principal força de oposição na Itália, o M5S sempre se caracterizou por recusar alianças com partidos tradicionais, postura rompida com a tentativa de adesão aos liberais europeus.   

Com a conquista de cidades importantes, como Roma e Turim, e a perspectiva de disputar, com chances de vitória, o governo italiano em uma eventual eleição antecipada, o Movimento 5 Estrelas tem feito mudanças antes impensáveis em sua conduta.   

Recentemente, após os escândalos envolvendo a nomeação pela prefeita de Roma, Virginia Raggi, de pessoas investigadas pela justiça, o M5S aprovou um código de ética mais flexível proposto por Grillo. Com isso, o partido passou a reconhecer publicamente o princípio da presunção da inocência, embora durante anos tenha sido intransigente com alvos de inquéritos judiciais, exigindo renúncia imediata ou desfiliação da legenda em casos do tipo.   

(ANSA)
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