Quem são os irmãos que espionaram políticos na Itália?

ROMA, 10 JAN (ANSA) - A Itália acordou nesta terça-feira (10) com a notícia que diversos líderes políticos do país haviam sido espionados através de uma rede montada pelos irmãos Giulio Occhionero, 45 anos, Francesca Maria Occhionero, 49. Mas, quem são eles? Os irmãos tem residência em Londres, mas são domiciliados em Roma, onde são bastante conhecidos do setor financeiro.   

Giulio é um engenheiro nuclear e diretor da Westland Securities, empresa fundada em 1998. Segundo perfil disponibilizado pela marca, a sociedade "opera no campo dos investimentos bancários" em diversas modalidades.   

Já Francesca atuou em diversas empresas e em conselhos de administração, trabalhando em setores ligados tanto ao desenvolvimento de start-ups até a gestão empresarial. Após essas experiências, foi cofundadora da Westland Securities e focou seu trabalho na construção e gestão de imóveis bem como no planejamento de grandes programas de edificação.   

Segundo o juiz do caso, Giulio ainda tem ligações com "o ambiente da maçonaria italiana, sendo membro da loja 'Paolo Ungari - Nicola Ricciotti Pensiero e Azione' de Roma, na qual atuou no passado como venerável mestre, parte das lojas do Grande Oriente da Itália".   

Ainda na ordem de prisão dos irmãos, a Justiça afirma que há indícios "que não seja uma iniciativa isolada dos dois irmãos, mas que, ao contrário, é parte de um mais amplo contexto onde mais sujeitos operam no setor da política e das finanças seguindo essa mesma modalidade".   

Segundo o especialista em segurança, Andrea Zapparoli Manzoni, o tipo de malware que eles utilizaram - chamado de "Eye Pyramid" - precisa de uma atualização constante, já que ele entra nos sistemas e se torna invisível.   

De acordo com Manzoni, os Occhionero "são desconhecidos" no mundo dos hackers italianos e ele tem certeza que "há um patrocinador" por trás deles.   

- Os espionados: Na lista de pessoas espionadas pelos irmãos, segundo os dados recolhidos pela Polícia de Roma, há mais de 20 mil nomes. Entre os mais conhecidos, estão o ex-primeiro-ministro Matteo Renzi, o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, o ex-premier Mario Monti, o ex-líder do Banco Central da Itália Fabrizio Saccomanni e o ex-comandante geral da Guarda de Finanças Saverio Capolupo.   

Além deles, estão na lista o prefeito de Torino, Piero Fassino, do Partido Democrático, o político e porta-voz de Silvio Berlusconi, Paolo Bonaiuti, o dirigente Mario Canzio, o ex-chefe de Gabinete da Economia Vincenzo Fortunato, o presidente da Comissão para Assuntos Externos e Comunitários da Câmara dos Deputados, Fabrizio Cicchitto, e o ex-ministro da Defesa do governo Berlusconi, Ignazio La Russa.   

Também está na lista de espionados o cardeal Gianfranco Ravasi, que desde 2007 é presidente do Pontifício Conselho da Cultura, da Pontifícia Comissão de Arqueologia Sacra e do Conselho de Coordenação entre as Academias Pontifícias.   

As primeiras análises apontam que as informações roubadas de computadores e demais equipamentos dos espionados foram todas guardadas em um servidor nos Estados Unidos. (ANSA)
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