Ordem de Malta pode causar nova crise no Vaticano

SÃO PAULO, 11 JAN (ANSA) - Uma nova crise está dando os ares no Vaticano. Dessa vez, envolve a recusa da Ordem de Malta de cooperar em uma investigação da Santa Sé sobre a nomeação de um novo grã-chanceler ocorrida no mês de dezembro.   

Segundo matéria do jornal italiano "La Repubblica", a instituição enviou um documento ao Vaticano informando que "a substituição do grã-chanceler foi um ato interno da Ordem".   

"Portanto, de acordo com a irrelevância jurídica do Grupo e de seus atos no âmbito da ordenação jurídica maltesa, a Ordem entendeu que não deve colaborar, mesmo que seja para tutelar a própria esfera de soberania", escreveram os membros da entidade.   

A publicação ressalta que o caso começou pouco antes do Natal de 2016, quando o então grã-chanceler alemão Albrecht Freiherr von Boeselager foi substituído por John Edward Critien.   

A justificativa para a troca foi o fato do alemão ter dado ordem para enviar doses usadas no tratamento da Aids na África, em um momento que ele deveria ter parado de enviar os medicamentos, já que a área está em conflito. Para a Ordem de Malta, ele tomou uma medida errada. No entanto, o Vaticano estranhou a decisão e instituiu uma comissão para analisar o caso.   

Por trás de toda essa situação, contudo, está uma "rivalidade" no Pontificado do papa Francisco. O atual patrono da Ordem de Malta é o cardeal norte-americano Raymond Burke, que segundo o jornal aprovou a mudança de comando.   

Burke já fez críticas a Jorge Mario Bergoglio e foi um dos cardeais conservadores que enviou uma carta ao Pontífice questionando a exortação "Amoris laetitia", que fala sobre uma maior abertura aos divorciados pela Igreja Católica. Bergoglio nunca respondeu os questionamentos.   

O norte-americano é conhecido por sua postura extremamente conservadora e ligada aos textos bíblicos, não aceitando "modernizações" em temas relacionadas à doutrina católica. A postura é exatamente oposta a de Francisco, que tenta aproximar a instituição àqueles que estavam mais afastados da Igreja.   

(ANSA)
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