Roteiro turístico é inspirado em obra de italiano Calvino

ROMA, 11 JAN (ANSA) - Existem inúmeras cidades belas no mundo que valem a pena visitar pelo menos uma vez na vida, mas muitas delas estão fora dos roteiros turísticos ou do imaginário coletivo de viagens. Cidades milenárias, cheias de fascínio e prontas para serem "redescobertas", não como lugares geográficos, mas como parte da existência humana: assim são "As cidades invisíveis" do romance escrito pelo italiano Italo Calvino. A obra literária que transporta o leitor a lugares mágicos, ricos de história e tradição, foi o "mapa" para esse roteiro de cidade inesperadas, mas que são reais. Entre literatura e geografia, realidade e fantasia, a lista descreve 11 cidades que se encaixam nas onze "categorias" que são descritas no livro. O romance de 1972 mostra como cada cidade é um trama escondida, ligada em medos e esperanças, passado e prospectivas, e que cada lugar novo visitado é um passo de um caminho muito mais longo.   


Conheça o roteiro inspirado na obra-prima de Calvino: As cidades e a memória - Tbilisi, Geórgia: A memória é um fator imprescindível para ecolher histórias e emoções dos lugares. E é algo duro quando tratamos de um passado doloroso, mas sempre essencial para passar adiante as recordações. É assim a cidade de Tbilisi, no coração do Cáucaso, onde a memória é tradição graças à sua cultura encruzilhada por estar estrategicamente entre a Europa e a Ásia. Capital da Géorgia, ex-República da União Soviética, essa cidade tem, além de uma história muito longa, muito a se explorar no centro velho. Além das construções antigas, há monumentos de arquitetura moderníssima assinadas por Massimiliano Fuksas e Michele De Lucchi. Os banhos termais de Abanotubani, a Catedral de Svetitsskhoveli e o Monasteiro de Jvari são pontos obrigatórios da viagem. E não parta antes de experimentar o khachapuri, uma espécie de pastel recheado com queijo considerado a iguaria do país. A cidade e o desejo - Monte Saint-Michel, França: Tântalo na mitologia grega vivia em uma floresta cheia de frutas suculentas e água fresca, mas agoniava por nunca poder alcançá-las. Isso porque ele foi punido por ter roubado o néctar dos deuses. Já a bíblica Eva mordeu a maçã do pecado e Ulisses, de Homero, se jogou em mar aberto para "seguir a virtude e o conhecimento". O desejo, a vontade de conhecimento e curiosidade desde sempre moveu o mundo. O monte Saint-Michel é absolutamente o lugar que melhor representa este estado de espírito: rodeado pelo mar e pela lua, só é possível chegar lá em determinados dias. Isso porque na pequena ilha não há nada além de água salgado, do santuário em homenagem ao arcanjo São Miguel e do clima de mistério e da natureza selvagem. O santuário que foi construído por volta dos anos 300 d.C., fica na foz do Rio Couesnon e é Patrimônio da Humanidade da Unesco.   


A cidade e os símbolos - Delf, Holanda: A uma hora de trem de Amsterdã, a cidade de Delft é uma pérola cujo os sinais da história e da arte conquistam a todos. Delft é a cidade natal de Johanees Vermeer, o pintor da célebre obra "A menina com o brinco de pérola", que inspirou o romance de Tracy Chevalir, e o filme de Peter Webber. Foi também em Delf, que o príncipe Guilherme I foi assassinado e fez história nos Países Baixos, que depois desse episódio seguiram rumo à independência da dominação espanhola. É a cidade também da Universidade de Delf, uma das mais prestigiadas do mundo. E se tudo isso ainda não convenceu, lá é onde nasceu a tradicional arte da cerâmica azul e branca do país. Uma visita à algumas das milhares lojinhas de cerâmica e uma selfie em frente ao coração azul de Marcel Smink são paradas obrigatórias. As cidades delgadas - Riga, Letônia: Suave como as palavras não-ditas, que dizem mais do que mil palavras. Riga é assim: linda e leve, cheia de sentidos e significados, nem sempre evidentes. A capital da Letônia, situada romanticamente nas margens do Mar Báltico, sabe conquistar até os mais céticos com o seu centro histórico, Patrimônio da Humanidade pela Unesco, e com sua arquitetura que mistura o estilo barroco, gótico e vai até à art nouveau. O roteiro deve começar com o Castelo de Riga, passar pela Casa do Gato e pela Casa dos Cabeças Negras. Não cometa o erro de pensar que Riga é uma cidade fria e triste do norte europeu já que até no rígido inverno a capital ilumina os tons acizentados de suas construções. E tem os milhares de pequenos comércios, lojas e cafés aconchegantes prontos para aquecer os turistas. As cidades e as trocas - Marselha, França: Para esta categoria nada mais justo do que uma cidade de porto. Marselha é a cidade perfeita para desfrutar da beleza dos encontros, àqueles que conseguem dar algo em troca e deixar alguma marca. O porto velho de Vieux Port fica situado no bairro que existe há mais de dois mil anos, também onde pode ser encontrado o peixe típico Bouillabaisse. Para descobrir outros ângulos da cidade o roteiro inclui um passeio na histórica rua La Canebière, uma visita à Catedral de Marselha e à abadia de Saint-Victor. Veleiros, pescadores, bares, cafés, peixes frescos e fruto do mar: Marselha é uma maresia boa que deixa saudade na pele de quem a visita. As cidades e os olhos - Ronda, Espanha: Se dois gênios da literatura como Ernest Hemingway e Alexandre Dumas ficaram apaixonados por Ronda, tenha certeza que será difícil descrever as paisagens dessa espetacular cidade espanhola. É praticamente uma tela de artista a pequena cidade da Andaluzia, que foi por um tempo árabe, e é localizada na garganta do rio Tajo. Além de admirar as incontáveis paisagens na Ponte Nova dessa original aldeia árabe, vá à Praça do Touro, onde além do museu relacionado ao tema, tem uma arena no estilo neoclássico.   


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