Acusado de ataques em Paris diz não sentir vergonha

PARIS, 12 JAN (ANSA) - Salah Abdeslam, único acusado de participação nos atentados de 13 de novembro de 2015, em Paris, ainda vivo, disse em uma carta enviada a uma misteriosa destinatária que não sente vergonha do que ele é.   

Embora mantenha um silêncio impenetrável perante os juízes franceses, o que o levou até a perder seus advogados, o belga tomou coragem para responder a uma mulher que havia lhe mandado uma correspondência na penitenciária de Fleury-Mérogis, onde está detido.   

A troca de mensagens foi revelada pelo jornal "Libération", que publicou alguns trechos em seu site. A carta escrita por Abdeslam, que não está datada, contém três parágrafos e foi incluída em um dossiê judiciário elaborado em 11 de outubro de 2016.   

Em um francês marcado por erros de grafia, o belga disse: "Te escrevo sem saber por onde começar. Recebi todas as suas cartas e não saberia te dizer se elas me deixam feliz ou não, o certo é que elas me permitem passar algum tempo em contato com o mundo externo. Em primeiro lugar, não tenho medo de falar sobre mim porque não sinto vergonha de quem sou, e o que eu poderia dizer de pior do que já dizem?".   

Em seguida, Abdeslam ressalta sua "sinceridade" e questiona os motivos por trás das cartas da mulher. "Se eu pergunto sobre as intenções de sua abordagem, é para garantir que você não me ama como se eu fosse uma 'estrela' ou um 'ídolo'. Eu recebo cartas assim e não posso aceitá-las porque o único que merece ser adorado é Alá [Deus], Senhor do Universo", acrescentou.   

Segundo o "Libération", Abdeslam é destinatário de uma intensa correspondência, inclusive de católicos que questionam sua fé, de mulheres que declaram seu amor e pedem um filho e de advogados oferecendo seus serviços - os últimos a trabalhar com o belga abandonaram sua defesa após ele se recusar a colaborar com a Justiça.   

No entanto, ele só respondeu a essa misteriosa mulher. A única coisa que se sabe dela é que a correspondência partiu do departamento de Côte-d'Or, na Borgonha. Abdeslam é acusado de ser um dos terroristas que dispararam contra bares e restaurantes dos 10º e 11º arrondissements de Paris.   

Seu irmão, Brahim, também participou da ação, mas se suicidou - o cinto de explosivos de Salah Abdeslam foi encontrado pela polícia, e até hoje não se sabe se o equipamento falhou ou se ele não quis detonar o próprio corpo.   

A prisão do belga, em março de 2016, ainda teria motivado os ataques que deixaram 32 mortos em Bruxelas. (ANSA)
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