Pressionado, presidente do México aumenta tom contra Trump

CIDADE DO MÉXICO, 12 JAN (ANSA) - Após o presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, reafirmar a intenção de construir um muro na fronteira, o mexicano Enrique Peña Nieto anunciou que seu país "não pagará" pela obra. "É evidente que temos algumas diferenças com o próximo governo dos Estados Unidos, como o tema do muro na fronteira com o México, que, obviamente, não pagará isso", disse o presidente mexicano.   

Peña Nieto tem sido pressionado por opositores, analistas e diplomatas por manter uma postura "branda" com Trump, quem, por sua vez, já fez vários ataques a mexicanos e imigrantes durante sua campanha eleitoral e prometeu construir o muro. Ontem, em seu primeiro discurso oficial desde as eleições presidenciais de novembro, nas quais derrotou a candidata democrata Hillary Clinton, Trump reafirmou que fará a obra e que cobrará do México, mas sem especificar em quais termos essa cobrança ocorreria.   

Em um encontro com embaixadores e diplomatas, Peña Nieto disse também que "buscará acordos para garantir o fluxo de investimentos" no país mesmo se os tratados comerciais com os EUA forem revisados pela equipe de Trump. Outra promessa eleitoral do republicano era proteger os interesses comerciais dos EUA e alterar tratados em vigor. Ele conversou já com montadoras para pedir que mantenham suas operações em solo norte-americano e não se transfiram para o México. A Ford, por exemplo, renunciou ao projeto de construir uma nova planta de US$ 1,6 bilhão no estado de San Luis Potosí que poderia gerar 2.800 empregos no México.   

Já o grupo Fiat-Chrysler deixou aberta a possibilidade de retirar alguns investimentos do México se o novo governo dos EUA alterar modelos de impostos de importação. "Rejeitamos qualquer intenção de influenciar as decisões de investimentos em empresas através do medo ou de ameaças", criticou Peña Nieto, aumentando o tom contra Trump.   

"Em nenhum momento, aceitaremos algo contra nossa dignidade como país nem da nossa dignidade como mexicanos. Princípios básicos como a soberania, o interesse nacional e a proteção dos mexicanos não são negociáveis", acrescentou. Sobre a ameaça de Trump de deportar 6 milhões de mexicanos ilegais que vivem nos EUA, Peña Nieto disse que lutará para que "qualquer repatriação seja feita de forma ordenada e coordenada, garantindo respeito aos direitos humanos". (ANSA)
Veja mais notícias, fotos e vídeos em www.ansabrasil.com.br.


Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos