Líbios de Tobruk se opõem a abertura de embaixada da Itália

ROMA, 13 JAN (ANSA) - As autoridades de Tobruk, na Líbia, manifestaram-se contra a reabetura da embaixada da Itália em Trípoli, alegando que se trata de uma "nova ocupação" do país, que já foi colônia italiana. De acordo com o site "The Libya Observer", o ministro das Relações Exteriores do governo guiado pelo premier Abdullah al-Thani, que é leal ao general Khalifa Haftar, enviou um comuniado "urgente" a toda a representação diplomática líbia no exterior para denunciar o "retorno militar da embaixada italiana" em Trípoli. "Um navio militar italiano carregado de soldados e munições entrou nas águas territoriais líbias. Trata-se de uma clara violação da Carta das Nações Unidas e uma forma de agressão", diz o texto, citado pelo site. O embaixador italiano Giuseppe Perrone apresentou suas credenciais em Trípoli há dois dias (11), por ocasião da reabertura da embaixada na capital, fechada desde 2014.   

Com isso, a Itália se tornou o primeiro país a voltar a operar diplomaticamente na Líbia após o acordo entre grupos rivais que levou a um governo de unidade nacional.   

Fontes ligadas à situação disseram à ANSA que o governo de Tobruk quer apenas "provocar tensões" e que ele não é reconhecido pela comunidade internacional. As fontes afirmam que a única autoridade legítima reconhecida na Líbia é o Conselho Presidencial em Trípoli sob comando do premier Fayez al Sarraj, apoiado pelas Nações Unidas. Alguns opositores ao regime criticaram a nota diplomática, alegando que o governo usa "dois pesos e duas medidas", pois "não falou sobre a entrada em águas líbias de um porta-aviões russo". A oposição italiana, liderada pelo Movimento 5 Estrelas (M5S), do ex-comediante Beppe Grillo, disse que está "preocupada com os diplomatas e italianos na Líbia". "O que não queremos jamais ver são episódios como os de Benghazi, em 2012, depois de um ataque à sede diplomática dos Estados Unidos no qual o embaixador Chris Stevens e outras três pessoas perderam a vida", disseram em uma nota os deputados do M5S da Comissão de Relações Exteriores. Nesta sexta-feira (13), Sarraj pediu união das Forças Armadas da Líbia para restabelecer a ordem no país e combater o grupo armado armado ligado ao ex-premier Khalifa al Ghwell, que ontem tentou um golpe de Estado, invadindo três ministérios em Trípoli. Ghwell foi premier do governo islâmico que manteve o poder em Trípoli entre 2014 e 2016, após ter se recusado a reconhecer sua derrota nas urnas. A Líbia enfrenta uma guerra civil com instabilidades políticas e rivalidade entre facções e partidos desde a queda do regime de Muammar Kadafi, em 2011. (ANSA)
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