No último dia da Pitti Uomo, marcas apostam em 'no-gender'

FLORENÇA, 13 JAN (ANSA) - Por Beatrice Campani. Homens e mulheres juntos nas passarelas, com looks que provavelmente foram desenhados para ambos os sexos: essa foi a principal tendência do 4º dia da Pitti Immagine Uomo, um dos maiores desfiles de moda masculina da Itália que neste ano terminou nesta sexta-feira (13).   


Que o "genderless", a moda sem gênero, é o futuro do universo fashion já não é mais uma novidade. Por isso, as marcas que dominaram as passarelas nesta sexta usaram e abusam desse conceito.   


O jovem estilista italiano Carlo Volpi, que desde 1998 se estabelece em Londres, foi um deles. O toscano trouxe ao evento uma coleção pop, irônica e até irreverente, pronta para construir uma linha alternativa, não convencional a favor do "no-gender". Nas passarelas, desfilaram homens e mulheres, que com as peças reinterpretaram os esteriótipos, principalmente na malharia, sua paixão.   


As confecções brincaram com imagens e frases para ele e ela. Uma delas ganhou destaque, a da estampa que mostra uma senhora que parece uma versão moderna da "Disco Sally do Studio 54", idosa que fez sucesso nas décadas de 1970 e 1980 dançando freneticamente na famosa boate Studio 54, em Nova York.   


"Todo esse mundo cliché foi rebatizado em favor de uma coleção 'cool'. É uma nova forma de beleza", afirmou Volpi. Nas passarelas, malhas coloridas, jaquetas bomber, calças tipo legging macias e cardigãs com capuz puderam ser bastante vistos.   


Além do italiano, o estilo "genderless", também foi adotado pelo japonês Teppei Fujita, o diretor-criativo da Sulvam e da Yohji Yamamoto, que, em Florença, falou sobre a sua visão de moda sem gênero, já comum no Japão.   


Para ele, homens e mulheres precisaram desfilar juntos "por que a minha moda é usada tanto por homens quanto por mulheres, ou seja, ela é sexy e 'cool'", explicou Fujita.   


Artesanal é outra palavra-chave da sua coleção, interpretada com grande contemporaneidade. Todas as peças foram confeccionadas visando a perfeição artesanal, com exceção das últimas saídas do desfile, onde os looks tiveram rasgos e outras imperfeições propositais. As passarelas italianas também receberam nesta sexta Lucio Vanotti com sua coleção masculina, mesmo que nas edições anteriores ele tenha apresentado a linha junto à feminina.   


"Devido às exigências do calendário, parece que não se pode não levar em consideração o 'no-gender'. Mas [todas as marcas fazerem isso] juntas às vezes limita a força da mensagem", reclamou o estilista.   


Por isso, Vanotti decidiu que a mensagem que queria transparecer ao público do desfile seria de um homem relaxado, que está no conforto da sua casa. Assim, o casaco se transformou em roupão de banho, as jaquetas lembraram as que são usadas em casa, os blazers deram a sensação de terem sido inspirados em cobertores pesados e as calças tinham elástico na cintura.   


Por fim, a marca Tim Coppens também mandou às passarelas modelos dos dois sexos em uma coleção inspirada nos filmes "Mad Max".   


Além disso, malhas de lã apareceram com estampas como "Acid" e "Never Ending Fun" e com o desenho de uma bomba que explode, que lembra os desenhos de explosões atômicas feitas a carvão pelo artista do norte-americano Robert Longo. (ANSA)
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