Oito homens têm mesma riqueza que 50% mais pobres, diz Oxfam

MADRI, 16 JAN (ANSA) - A desigualdade social é cada vez mais evidente, sendo que apenas oito homens possuem a mesma riqueza que a metade mais pobre da população mundial, cerca de 3,6 bilhões de pessoas, afirmou a organização britânica Oxfam.   

Nesta segunda-feira, dia 16, na véspera da abertura do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, deste ano, evento no qual a organização costuma a divulgar relatórios sobre a desigualdade no planeta, a Oxfam publicou o documento "Uma economia a serviço dos 99%", que apontou a uma situação " extrema, insustentável e injusta".   

"É indecente que tanta riqueza esteja concentrada nas mãos de uma minoria tão pequena, quando se sabe que uma a cada 10 pessoas no mundo vive com menos de US$ 2", disse o porta-voz da Oxfam, Manon Aubry. Os homens mais ricos são o fundador da Microsoft, Bill Gates; o fundador da Zara, Amancio Ortega; CEO da Berkshire Hathaway, Warren Buffet; o dono do grupo Carso, Carlos Slim Helu; o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg; o CEO da Oracle, Larry Ellison; e o dono da Bloomberg, Michael Bloomberg. De acordo com a ONG, no Vietnã, por exemplo, o homem mais rico do país recebe em um dia o que a pessoa mais pobre ganha em 10 anos. Já na Índia, o CEO da maior empresa de tecnologia do país recebe 416 vezes mais que um funcionário médio do mesmo local de trabalho. Já em Bangladesh, a soma dos salários do ano de 100 mil trabalhadores de fábricas têxteis equivale ao que ganha o CEO de qualquer uma das empresas que estão no índice na Bolsa de Valores de Londres (FTSE).   

Os Estados Unidos também não escapam desse cenário. Segundo estudo feito pelo economista Thomas Piketty, a renda do 1% mais rico da população aumentou 300% enquanto a dos 50% mais pobres está congelada há 30 anos.   

O relatório da Oxfam também cita o Brasil, onde "os milionários fazem lobby para conseguir baixar os impostos, e em São Paulo eles preferem se locomover por helicóptero sobrevoando engarrafamentos e as infraestruturas em mal-estado que estendem aos seus pés". O documento também denuncia o uso de paraísos fiscais, o que causa prejuízos de ao menos US$ 1,1 bilhão por ano para países em desenvolvimento e que os milionários e as grandes companhias e conglomerados usam do seu poder para criar políticas nacionais e internacionais ao seu favor.   

Além disso, o relatório também apontou que dos 1810 milionários citados pela revista "Forbes" em lista no ano passado, que 89% são homens e que contam com US$ 6,5 trilhões, a mesma renda de 70% da população mais pobre do mundo. O relatório também apontou que em 2015, as 10 maiores companhias do mundo tiveram um faturamento maior que a receita de governos de 180 países, o que, no entanto, não foi repassado para outras camadas da população.   

No ano passado, a ONG já havia dito que o 1% mais rico da humanidade tinha uma renda maior que o resto dos 99% do mundo, o que continua neste ano e que deu origem ao nome do último relatório. (ANSA)
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