Em Davos, Xi Jinping defende globalização e alfineta Trump

DAVOS, 17 JAN (ANSA) - Na abertura do Fórum Econômico Mundial de Davos nesta terça-feira (17), o presidente da China, Xi Jinping, fez um discurso em defesa da globalização e dos acordos internacionais e alfinetou, indiretamente, o futuro líder dos Estados Unidos, Donald Trump.   

"Algumas pessoas acusam a globalização econômica pelo caos, mas ele não foi causado por ela. É verdade que a globalização criou novos problemas, mas isso não é uma justificativa para cancelá-la, mas sim para adaptá-la", disse o mandatário sobre as crises migratórias no mundo e as grandes crises financeiras da última década.   

Citando indiretamente os planos de Trump de criticar acordos internacionais e de querer taxar produtos do exterior, Xi Jinping destacou que "gostem ou não, a economia global é um enorme oceano do qual ninguém pode sair completamente".   

Para o presidente de um país que há apenas 38 anos abriu seu mercado para o mundo, o chinês ressaltou que o panorama comercial e industrial mudou completamente durante esse período e concordou que as "regras do comércio global não seguiram esses desenvolvimento".   

No entanto, ele mostrou-se radicalmente contra às medidas protecionistas. "Precisamos dizer não ao protecionismo.   

Prosseguir com o protecionismo é como fechar-se dentro de um quarto escuro. Vento e chuva podem ficar de fora, mas também ficarão fora a luz e o ar fresco", ressaltou o líder de Pequim.   

Destacando a importância do comércio chinês para o mundo, Xi Jinping afirmou que "as conquistas econômicas da China são uma benção seja para a China, seja para o mundo" e que elas resultam em "oportunidades para o mundo".   

Em outra passagem de seu discurso, o mandatário voltou a fazer uma indireta para Donald Trump. Ao falar sobre o Acordo de Paris sobre as mudanças climáticas, assinado tanto pelos chineses como pelo governo de Barack Obama, Xi Jinping disse que esse foi um "passo adiante magnífico" e alertou que "todos os signatários devem respeitá-lo".   

Durante sua campanha presidencial, Trump desdenhou do acordo e afirmou que não iria fazer com que os Estados Unidos cumprissem as metas estipuladas no documento. O magnata afirmou que iria usar o dinheiro enviado para o fundo internacional para revitalizar a indústria local.   

O chinês ainda destacou que respeitar o Acordo de Paris é "uma responsabilidade que precisamos assumir com as próximas gerações". (ANSA)
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