Com Merkel, premier italiano pede que Europa fique unida

BERLIM E ROMA, 18 JAN (ANSA) - O primeiro-ministro italiano, Paolo Gentiloni, fez sua primeira visita oficial à Alemanha nesta quarta-feira (18) e se reuniu com a chanceler alemã Angela Merkel. No encontro, o premier pediu para que a União Europeia não tenha "dois modelos" para lidar com os principais problemas sociais e econômicos.   

"Não podemos dar a sensação de que, em um mar de tempestades, a UE esteja se movendo com um pequeno bote e adote um tipo de flexibilidade com correntes alternadas: muito rígida sobre os décimos dos orçamentos e muito ampla sobre as questões fundamentais, como a crise migratória", disse Gentiloni reforçando o discurso dos últimos meses dos líderes italianos.   

Citando o presidente Sergio Mattarella, o premier ressaltou que, para ele, "a Europa não está em duas velocidades, mas há uma Europa com dupla rigidez: muito rígida sobre algumas coisas, muito flexível sobre outras".   

A fala do líder do governo italiano tem a ver com os constantes embates entre Itália e UE. Na questão da rigidez, Gentiloni reclamou que o bloco cobra uma diferença de 0,2% dos italianos na questão da relação entre dívida e PIB. Por outro lado, os Estados-membros não impõem sanções ou pressionam os países que se recusam a receber imigrantes pelo sistema de cotas implantado em 2015.   

No entanto, Gentiloni falou sobre a importância da união entre italianos e alemães para manter o projeto europeu forte.   

"Com a chanceler Merkel nós falamos sobre o destino da Europa e sabemos que ela atravessa uma fase difícil. Itália e Alemanha estão entre os países convictos da extraordinária importância do futuro europeu. [Precisamos] relançar a UE pensando nos desafios que temos à nossa frente sobre crescimento, trabalho, investimentos, imigrantes e defesa de nossos princípios", acrescentou.   

Por sua vez, Merkel desejou "boa sorte" ao novo governo da Itália e aproveitou o início da coletiva de imprensa para desejar "muita força" para enfrentar os problemas atuais, como a série de terremotos que atingiu o país nesta quarta.   

"Os nossos pensamentos vão sobretudo para as populações atingidas novamente por um terremoto. Nós oferecemos nossa solidariedade e estamos disponíveis a qualquer tipo de ajuda", disse a líder alemã.   

Ao falar sobre os desafios europeus, Merkel ressaltou que "a imigração não é um problema que atinge alguns países, mas toda a União Europeia" e que as questões de "livre circulação e de Schengen só poderão ser enfrentadas se uma solução ao problema da imigração for encontrada". No entanto, ela reconheceu que "não há ainda uma solução sustentável" sobre o tema e que "nem todos os países europeus estão no mesmo nível sobre a responsabilidade que assumiram".   

- Trump: Os dois líderes também foram questionados sobre qual será a relação deles com o presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, que assume o cargo no dia 20 de janeiro.   

Merkel ressaltou que "no âmbito do G20, nós manteremos contatos em todos os níveis", mas que "a Europa tem em suas mãos seu próprio destino e o nosso futuro depende de nós". A fala da chanceler foi mais uma reação às críticas feitas pelo magnata à Alemanha e à Europa em uma entrevista publicada durante o fim de semana.   

Já Gentiloni destacou que a colaboração com o novo presidente dos EUA "é fundamental, mas os nossos princípios são outros".   

- Brexit: Questionados pelos jornalistas sobre a saída da Grã-Bretanha da União Europeia, Merkel falou sobre o discurso feito pela premier Theresa May nesta segunda-feira (17).   

"Com o discurso de Theresa May, nós tivemos uma clara impressão de como serão as negociações, mas estas começarão quando será apresentado o pedido oficial. O importante é que a Europa não se diminua", disse.   

Por sua vez, Gentiloni também destacou o discurso da premier britânica e falou que a União Europeia "está pronta para discutir com comprometimento de solidariedade e amizade" a saída do Reino Unido. - FCA Gentiloni também foi questionado sobre a suposta fraude nos testes ambientais da Fiat Chrysler Automobiles (FCA), que o Ministério das Relações Exteriores da Alemanha pediu que a UE fizesse um recall de três modelos da marca.   

"Nós tivemos polêmicas nestes dias, uma em particular sobre as emissões de alguns modelos da FCA. Eu simplesmente respondi à Merkel, com amizade, que estão são questões reguladas por leis que são atribuídas às autoridades nacionais. Nós decidimos pelo que nos interessa e acredito que os alemães façam o mesmo", disse Gentiloni. (ANSA)
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