'Torturador de imigrantes' é preso em Milão

MILÃO, 18 JAN (ANSA) - A polícia de Milão anunciou a prisão do somali Osman Matammud, 22 anos, nesta quarta-feira (18), acusado de cometer tortura, dezenas de estupros, sequestro de pessoa com objetivo de extorsão e quatro assassinatos de imigrantes que tentavam realizar a travessia da Líbia até a Itália.   

Matammud foi o responsável por um centro de acolhimento em Bani Walid, na Líbia, por cerca de um ano. O local recebia imigrantes de diversas partes do norte da África que queriam tentar uma vida nova na Europa, mas que ainda não tinham todo o dinheiro suficiente para fazer a travessia.   

Segundo as primeiras informações das testemunhas, o grupo cobrava cerca de US$ 7 mil por pessoa para a viagem, que começava da Somália para a Etiópia, depois para o Sudão, Líbia e finalmente Itália.   

"Em 40 anos de carreira, nunca vi um horror parecido. Era um sádico", disse o procuradora-adjunta de Milão, Ilda Boccassini, se referindo aos inúmeros episódios de tortura cometidos por Matammud.   

Agora, mais de uma dezena de imigrantes, entre os quais duas meninas menores de idade que o reconheceram próximo a estação Central, estão prontos para testemunhar contra eles em audiência preliminar marcada para amanhã (20).   

"Em um momento em que se faz acordos com países para a gestão da crise migratória, a Itália deve exigir o respeito aos direitos humanos", ressaltou o procurador de Milão, Francesco Greco.   

Depois de liderar o centro de acolhimento em Bani Walid, Matammud teria se escondido, no início de setembro de 2016, em um dos barcos que faz a travessia até a Itália. Ele desembarcou na Sicília e seguiu para Florença e Milão. Na capital da cidade, no dia 23 de setembro, ele foi visto por duas meninas que haviam sido estupradas por ele na Líbia e que estavam abrigadas em um centro para imigrantes na cidade italiana.   

"Elas disseram que um outro somali disse que foi buscá-lo na estação porque alguns dos conhecidos dele em Roma lhe estavam pedindo este favor e que eles levaram ele para o centro pensando que fosse mais um de tantos refugiados", contaram às autoridades.   

Naquele dia, ao chegar no centro de acolhimento, outros o reconheceram e Matammud foi quase linchado pelos próprios deslocados. Por causa disso, a polícia foi chamada e ele foi preso. Já na ordem de prisão, após pedir autorização do Ministério da Justiça para julgar crimes ocorridos no exterior, há dezenas de relatos de vítimas. Uma adolescente proveniente da Somália revelou que sofreu "estupro quase todas as noites" durante os quatro meses que permaneceu no local.   

Outros informaram que ele "quebrava ossos" dos estrangeiros e "queimava sacolas plásticas rente à pele até que elas grudassem nas costas". Muitas pessoas foram mortas porque os familiares não enviavam o dinheiro total da viagem.   

Segundo relato da ordem de prisão, os imigrantes eram torturados "para que o dinheiro chegasse mais rápido" e quem não pagava era "morto com socos" porque "tornava-se só um custo". Os corpos deles ainda eram deixados à mostra para servir de "advertência".   

As violências, no entanto, também eram "gratuitas" e contra quem já tinha pagado pelo transporte. "Matammud torturava pessoalmente, também com descargas elétricas", revelou outro. As denúncias foram comprovadas através de exames de medicina legal.   

(ANSA)
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