TV egípcia divulga vídeo de italiano assassinado em 2016

ROMA, 23 JAN (ANSA) - A emissora egípcia "Sada el Balad" divulgou um vídeo nesta segunda-feira (23) em que o italiano Giulio Regeni, que foi encontrado morto no dia 3 de fevereiro de 2016, aparece conversando com o presidente do sindicato dos vendedores ambulantes, Mohamed Abdallah.   

O vídeo foi gravado sem o conhecimento do italiano, através de uma câmera escondida sob um botão da camiseta que Abdallah estava usando. Segundo a emissora, a gravação foi realizada no dia 6 de janeiro, cerca de 20 dias antes de Regeni desaparecer.   

A gravação tem uma hora e 55 minutos, mas a conversa entre os dois dura 45 minutos. Durante a conversa, o sindicalista diz que "precisa de dinheiro" porque sua mulher tem câncer e tenta pegar parte desse valor com o italiano. "O dinheiro não é meu. Não posso usar o dinheiro por nenhum motivo além do acadêmico", diz Regeni em árabe.   

A conversa prossegue e o sindicalista pede "que tipo de informação que você quer?". "Qual a coisa mais importante para você no que tange o sindicato? Quais são as necessidades do sindicato", questiona o italiano.   

Em diversos momentos, Abdallah volta a pedir dinheiro para Regeni, que se mantém irredutível em dar dinheiro que não seja com fins acadêmicos.   

O sindicalista confessou que foi ele quem denunciou Regeni às autoridades por desconfiar de que o italiano era um espião. O italiano estava no Egito para fazer um trabalho acadêmico sobre os sindicatos e organizações sociais egípcias após a Primavera Árabe, ocorrida em 2011. Nos últimos anos, o governo de Abdel Fattah al-Sisi proibiu o funcionamento de sindicatos independentes, sendo o governo central quem gere esse tipo de estrutura.   

Regeni desapareceu no dia 25 de janeiro, enquanto estava em uma linha do metrô do Cairo. Seu corpo só foi encontrado no dia 3 de fevereiro, com sinais de tortura e sem parte da roupa. O Egito chegou a acusar e matar cinco supostos sequestradores, que tinham os documentos do italiano, mas as autoriades italianas não se convenceram com a informação.   

Acredita-se que Regeni tenha sido confundido com um espião internacional e que tenha sido morto por algum órgão ligado ao governo. No entanto, al-Sisi sempre negou qualquer vínculo oficial com o crime. (ANSA)
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