As histórias dos 11 sobreviventes de avalanche na Itália

SÃO PAULO, 26 JAN (ANSA) - Com a conclusão dos resgates dos corpos soterrados por uma avalanche no hotel Rigopiano, em Farindola, no centro da Itália, o balanço oficial contabiliza 29 mortos na maior tragédia desse tipo na Europa no século 21.   

No entanto, 11 pessoas conseguiram escapar com vida do deslizamento de neve, ocorrido por volta de 16h30 do dia 18 de janeiro, sendo que nove permaneceram debaixo dos escombros por mais de 40 horas. Confira as histórias desses sobreviventes: A vida salva pela dor de cabeça - O cozinheiro Giampiero Parete, 38 anos, estava de férias com a família no hotel, mas se salvou devido a uma obra do acaso: ele tinha acabado de ir a seu carro pegar um remédio para a dor de cabeça da esposa, Adriana (43), quando 50 mil toneladas de neve caíram sobre o prédio.   

Desesperado porque sua mulher e seus filhos, Gianfilippo (oito) e Ludovica (seis), estavam no Rigopiano, Parete chamou imediatamente o socorro, mas inicialmente não acreditaram em sua história. O resgate chegou apenas 11 horas depois, tempo que o cozinheiro passou dentro do carro, sem saber nenhuma notícia de seus entes queridos.   

Adriana e Gianfilippo foram resgatados após 44 horas sob os escombros, mas eles tiveram de aguardar por ainda mais sete horas pelo salvamento da pequena Ludovica, em uma operação que emocionou o país inteiro e reuniu a família Parete.   

O 'faz-tudo' - Espécie de "faz-tudo" do Rigopiano, Fabio Salzetta, de 30 anos, estava na casa das caldeiras quando ocorreu a avalanche. Feita em concreto armado, a estrutura o protegeu da neve. "Ele não percebeu nada na hora, foi um brevíssimo lapso de tempo", contou o prefeito de Farindola, Ilario Lacchetta. Ao deixar seu abrigo, Salzetta tentou procurar ajuda e escutar vozes sob os escombros, mas encontrou apenas Giampiero Parete, que tivera a mesma sorte.   

A família que parecia ter escapado - O pequeno Samuel Di Michelangelo, de sete anos, foi resgatado no dia 20 de janeiro, junto com Ludovica Parete, porém seus pais não tiveram o mesmo destino. Durante todo aquele dia, circulou a notícia de que o policial Domenico Di Michelangelo, 31, e sua esposa, Marina Serraiocco, 37, estavam entre os sobreviventes.   

O prefeito de Osimo - cidade de residência da família -, Simone Pugnaloni, chegou a escrever no Facebook que os três tinham escapado. Contudo, os corpos de Serraiocco e Di Michelangelo foram encontrados durante as operações dos últimos dias.   

O segundo órfão - Edoardo Di Carlo, oito anos, foi salvo junto com Samuel e Ludovica - todas as quatro crianças hospedadas no hotel escaparam -, mas, assim como o filho do policial, ele perdeu os pais, Nadia (47) e Sebastiano Di Carlo (49), na tragédia.   

No momento da avalanche, Edoardo jogava bilhar com os dois pequenos que foram resgatados a seu lado e a mãe de Ludovica, Adriana Parete. Apenas eles estavam na sala. O funeral de Nadia e Sebastiano ocorreu na última quarta-feira (25) e reuniu centenas de pessoas na cidade de Loreto Aprutino, na mesma província do Rigopiano. Edoardo, que participou da cerimônia, será criado pelo irmão de 20 anos.   

O amor interrompido - Dono de uma confeitaria nos arredores de Roma, Giampaolo Matrone, 34 anos, havia deixado a filha de cinco com seus pais para passar alguns dias de folga com a companheira, Valentina Cicioni, 32, em Farindola.   

O casal sobreviveu ao impacto da avalanche, mas apenas Matrone aguentou esperar o resgate, realizado na madrugada de sábado passado (21), cerca de 60 horas após o deslizamento. "Eu apertava a mão de minha esposa e conversava para mantê-la acordada. A chamava, mas em certo ponto não a escutei mais e entendi que estava me deixando", contou o confeiteiro.   

O corpo de Cicioni, uma enfermeira do renomado Hospital Policlinico Gemelli, em Roma, foi identificado apenas nesta quinta (26). Já Matrone é o único sobrevivente ainda internado.   

A mesma história, mas com os gêneros invertidos, foi protagonizada por Francesca Bronzi, 25, e seu namorado, Stefano Feniello, que passavam suas primeiras férias juntos. Ela tinha presenteado o companheiro com uma viagem ao hotel para comemorar o 28º aniversário dele, porém o período de descanso foi interrompido pela avalanche.   

"Com a luz do celular, até que a bateria aguentou, eu iluminei o braço de Stefano. Via apenas seu braço. Ele se lamentava, eu o chamava, mas ele não respondia. Depois, não o ouvi nem mesmo se lamentar", disse Bronzi, que reconhecera o namorado pelo relógio. O corpo de Feniello foi identificado na última terça-feira (24).   

O amor salvo - Vincenzo Forti, 25, e Giorgia Galassi, 22, são donos de uma pizzaria chamada "Peter Pan", em Giulianova, na costa leste da Itália. Eles passaram 60 horas soterrados, mas foram resgatados com vida. "Foi como uma bomba, me vi com as pilastras em cima de mim", relatou Forti.   

Segundo o sobrevivente, ele e Galassi ficaram presos com mais uma pessoa - Francesca Bronzi ou Giampaolo Matrone - em um espaço de um metro quadrado, abraçados e nutrindo-se apenas com neve derretida. "Eu fiquei sem sapatos, usava uma calça legging que minha namorada tinha me emprestado", acrescentou. (ANSA)
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