As vidas interrompidas pela tragédia no hotel Rigopiano

SÃO PAULO, 26 JAN (ANSA) - A avalanche sobre o hotel Rigopiano, na cidade de Farindola, no centro da Itália, destruiu não apenas um conhecido resort da cordilheira dos Apeninos, mas também interrompeu vidas em pleno auge. Provavelmente causado pela série de terremotos do dia 18 de janeiro, o deslizamento de neve deixou 29 pessoas mortas, sendo 15 homens e 14 mulheres. Veja abaixo algumas das histórias encerradas no Rigopiano: O desaparecido que ninguém procurava - Nascido no Senegal, Faye Dame, 30 anos, tinha status de refugiado e trabalhava como "faz-tudo" no hotel. Ele vivia na Itália desde 2009, aonde chegara junto com os irmãos, que seguiram para Bélgica e França.   

Seu nome só foi colocado na lista de desaparecidos em 22 de janeiro, quatro dias após a tragédia, por causa do depoimento de um casal que se hospedara no Rigopiano.   

A noiva que se casaria em maio - Linda Salzetta, 31 anos, estava com casamento marcado para o próximo mês de maio e trabalhava no centro de bem-estar do hotel. Seu irmão, Fabio Salzetta, também era funcionário do Rigopiano, mas escapou porque estava na sala das caldeiras, que não foi destruída pela avalanche.   

O recepcionista encantado por uma brasileira - Alessandro Riccetti, 33 anos completados na última segunda-feira (23), era recepcionista do Rigopiano e apaixonado por turismo e idiomas. A última foto enviada por ele antes da avalanche teve como destino Recife, no Brasil, onde vive sua namorada, Isabella Paiva.   

O voluntário da Cruz Vermelha - Garçom no hotel, Gabriele D'Angelo, 30 anos, era voluntário na Cruz Vermelha de Penne, a 10 km de Farindola. A autópsia em seu corpo apontou morte por congelamento. "Se ele tivesse sido socorrido em até duas horas, poderia ter sido salvo", disse Domenico Angelucci, médico da família da vítima.   

O interista fanático - Alessandro Giancaterino, 42, foi o primeiro morto a ser identificado. Ele trabalhava como maître no Rigopiano e deixou um filho de 10 anos, além da paixão pela Inter de Milão. No enterro, seu caixão foi coberto com uma camisa nerazzurra. Assim como Gabriele, morreu congelado.   

Os pais de Edoardo - O resgate do menino Edoardo Di Carlo, de oito anos, emocionou a Itália, ainda mais por ter ocorrido 51 horas depois da tragédia. Contudo, seus pais, Nadia (47) e Sebastiano Di Carlo (49), não resistiram. Edoardo será criado agora pelo irmão de 20 anos.   

Os pais de Samuel - O prefeito de Osimo, Simone Pugnaloni, chegou a escrever no Facebook que uma família da cidade havia sido resgatada, mas horas depois descobriu-se que o único a ser salvo tinha sido o pequeno Samuel Di Michelangelo, de sete anos.   

Os pais da criança, Domenico Di Michelangelo, 31, e Marina Serraiocco, 37, faleceram na avalanche.   

O aniversariante - Stefano Feniello, 28 anos, havia ganhado da namorada, Francesca Bronzi, 25, uma viagem ao hotel Rigopiano para comemorar seu aniversário - eram as primeiras férias do casal. Após terem sobrevivido à avalanche, apenas Francesca conseguiu esperar o resgate. "Com a luz do celular, até que a bateria aguentou, eu iluminei o braço de Stefano. Via apenas seu braço. Ele se lamentava, eu o chamava, mas ele não respondia.   

Depois, não o ouvi nem mesmo se lamentar", disse ela.   

O proprietário - Dono do hotel, Roberto Del Rosso, 53 anos, era arquiteto e estava sempre ali. Um de seus amigos era o tenor Gianluca Ginoble, do trio italiano Il Volo, a quem havia convidado para passar uns dias no Rigopiano. "Devia estar lá, escapei por milagre da tragédia", afirmou o músico. Del Rosso ficara de pegar Ginoble em sua casa, mas acabou não aparecendo por causa do mau tempo.   

Os pais da formanda - Piero di Pietro, 54 anos, e Barbara Nobilio, 51, passariam apenas uma noite no hotel, assim como os amigos Sebastiano e Nadia Di Carlo, porque uma de suas filhas se formaria no dia seguinte ao desastre. Seus corpos foram encontrados no início da semana.   

O rosto do Rigopiano - Era Emanuele Bonifazi, 31, o responsável pelo contato direto com os hóspedes do hotel, onde trabalhava havia quatro anos. No Facebook, os clientes o descrevem como "um vulcão de simpatia". Seu pai é voluntário da Proteção Civil, órgão que coordenou o resgate dos 29 mortos na avalanche, incluindo Emanuele.   

A viagem de presente - Claudio Baldini e Sara Angelozzi estavam de férias no Rigopiano como presente de alguns amigos. Claudio encheu seu perfil no Facebook de selfies tiradas durante a estadia, até que a avalanche chegou. Em uma delas, agradeceu pelo "belíssimo presente".   

"Entendi que ela estava me deixando" - Giampaolo Matrone, 34, e Valentina Cicioni, 32, protagonizaram uma das histórias mais emocionantes da tragédia. O casal conseguiu sobreviver ao impacto do deslizamento de neve, mas Giampaolo viu a mulher morrer enquanto aguardava o resgate. "Eu apertava a mão de minha esposa e conversava para mantê-la acordada. A chamava, mas em certo ponto não a escutei mais e entendi que estava me deixando", contou ele, que é dono de uma confeitaria nos arredores de Roma. (ANSA)
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