Ex-líder da máfia aceita ser interrogado na Itália

PALERMO, 30 JAN (ANSA) - Em uma decisão que pegou promotores de surpresa, o ex-líder mafioso Salvatore "Totò" Riina, 86 anos, aceitou nesta segunda-feira (30) ser interrogado em um processo sobre as relações entre o Estado da Itália e a máfia.   

Se o depoimento se confirmar, terá sido a primeira vez que o ex-chefe do clã dos Corleone, o mais poderoso da chamada "Cosa Nostra", é submetido às perguntas de advogados e procuradores. O caso investiga um suposto pacto entre as instituições italianas e a máfia no início dos anos 1990.   

A suspeita é que o Estado tenha oferecido relaxamento de sentenças a mafiosos em troca do fim dos atentados cometidos pela Cosa Nostra, que, entre outros, mataram os juízes Giovanni Falcone e Paolo Borsellino, ambos a mando de Riina.   

A decisão foi anunciada por seu advogado, Giovanni Anania, já no fim de uma audiência realizada nesta segunda-feira, em Palermo, capital da Sicília, berço do clã dos Corleone. Entre os 10 réus do processo, incluindo mafiosos, arrependidos, ex-políticos e ex-carabineiros, apenas o ex-chefe da Cosa Nostra aceitou ser interrogado.   

Até aqui, Riina acompanhava o julgamento em videoconferência, a partir da penitenciária onde cumpre pena de prisão perpétua, em Parma, mas sem responder a perguntas. Nesse processo, ele é acusado de "ameaça ao corpo político do Estado".   

No entanto, os investigadores não esperam que o ex-líder mafioso contribua para o inquérito e acreditam que Riina aproveitará o "palco" para se defender. A data do interrogatório ainda não foi marcada, mas ele deve ser realizado por meio de videoconferência.   

"Ao longo destes 23 anos, pedimos muitas vezes para Salvatore Riina colaborar com a Justiça, mas sabemos bem como são grandes os riscos de que as palavras dele sejam vazias", diz uma nota da associação que reúne as vítimas do atentado da via dei Georgofili, que ocorreu em maio de 1993, em Florença, e deixou cinco mortos.   

"Totò" Riina comandou o clã dos Corleone entre 1982 e 1993 e é considerado o mais sanguinário dos mafiosos italianos, tendo instaurado um período de terror na Sicília. Após sua prisão, a liderança da Cosa Nostra passou para Bernardo Provenzano, que iniciou a "pacificação" entre as várias facções da máfia.   

Provenzano morreu em julho de 2016, aos 83 anos. (ANSA)
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