Em queda nas pesquisas,Fillon parte ao ataque para se salvar

PARIS, 01 FEV (ANSA) - Em queda nas pesquisas e investigado pela Justiça, o candidato conservador à Presidência da França, François Fillon, partiu para o ataque contra o Estado para justificar o caso em que é suspeito de dar um emprego fantasma a sua esposa, Penelope.   

Em entrevista à rádio "RTL", o postulante do partido Os Republicanos denunciou um "golpe de Estado institucional por parte do poder" para derrubá-lo. "Essa história vem do poder, que não pode vencer no debate democrático e decidiu descer para outro terreno", disse.   

Fillon também pediu a "imensa solidariedade" dos eleitores e para eles esperarem "15 dias" para a conclusão do inquérito preliminar. Pouco mais de uma hora depois, o Palácio do Eliseu, sede da Presidência da França, afirmou que as acusações do candidato são "inaceitáveis". "O único poder é o da Justiça", acrescentou o gabinete do mandatário François Hollande.   

Ex-primeiro-ministro do país, Fillon é suspeito de ter empregado a mulher em um cargo fictício de assessora parlamentar entre 1998 e 2007, tanto no seu gabinete, entre 1998 e 2002, como no de seu suplente, até 2007.   

Penelope teria recebido cerca de 500 mil euros em oito anos como funcionária da Assembleia Nacional. Além disso, também está sendo investigada uma colaboração da esposa do candidato para a revista de literatura "Revue des Deux Mondes", comandada por um amigo de Fillon, Marc Ladreit de Lacharrière.   

Em 15 meses, a publicação teria pagado 100 mil euros para Penelope, que escreveu apenas algumas resenhas nesse período. O casal nega ter cometido qualquer irregularidade, mas o episódio ameaça a candidatura do conservador à Presidência da França.   

Até o estouro do escândalo, na semana passada, todas as pesquisas colocavam Fillon no segundo turno, quando seria favorito para derrotar a ultranacionalista Marine Le Pen, da Frente Nacional (FN). Contudo, uma sondagem realizada pelo instituto Elabe entre 30 e 31 de janeiro, já sob o efeito da investigação, mostrou que as intenções de voto do ex-primeiro-ministro caíram de 26% para 20% em um mês.   

Já Le Pen subiu de 24% para 27%, enquanto o ex-ministro de Economia Emmanuel Macron ultrapassou Fillon e assumiu a segunda posição, com 23%. Em quarto lugar, com 17%, está o ex-ministro da Educação Benoît Hamon, candidato do Partido Socialista. Esses dois últimos são dissidentes que romperam com Hollande nos últimos anos.   

Líder nas pesquisas, Le Pen também é alvo de denúncia, mas do Parlamento Europeu, que a acusa de usar 300 mil euros em recursos do bloco para financiar sua campanha na França. A ultranacionalista, que também é eurodeputada, já disse que não reembolsará o Congresso da UE. (ANSA)
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