Especial/Confira as eleições que podem mudar o mundo em 2017

Por Lucas Rizzi SÃO PAULO, 01 FEV (ANSA) - Ainda sob o efeito da "Brexit" e da chegada de Donald Trump à Casa Branca, o mundo terá um movimentado calendário eleitoral em 2017, com pleitos que podem abalar ainda mais os já frágeis pilares da estabilidade global.   

Países importantes dos cinco continentes irão às urnas neste ano, com destaque para a Europa. Até outubro, pelo menos quatro Estados-membros da União Europeia escolherão novos líderes, sendo que em todos eles deve se confirmar a tendência de crescimento das forças eurocéticas.   

A maior parte das atenções estará voltada para a França, país fundador da UE e cujo debate eleitoral é dominado por um tom populista que reveste seus principais candidatos. Da direita à esquerda, a disputa é concentrada em torno da ultranacionalista Marine Le Pen (Frente Nacional), do ex-premier conservador François Fillon (Os Republicanos), do ex-ministro de Economia Emmanuel Macron (Em movimento!), do ex-ministro da Educação Benoît Hamon (Partido Socialista) e do eurodeputado Jean-Luc Mélenchon (França Insubmissa).   

Enquanto os dois primeiros disputam o eleitorado conservador e os dois últimos dividem o campo da esquerda, o do meio tenta se colocar como uma terceira via liberal e centrista. Líder nas pesquisas para o primeiro turno, marcado para 23 de abril, Le Pen forçou seus adversários a flertarem com o populismo, enquanto tenta emplacar sua plataforma anti-euro e anti-imigração em um país desencantado pela crise econômica e assustado por recorrentes atentados terroristas.   

Hamon, por exemplo, propõe a criação de uma renda básica de cidadania para todos os franceses, e Macron já foi chamado de "Beppe Grillo vestido de Giorgio Armani", em comparação ao líder antissistema italiano que diz não ser "nem de esquerda, nem de direita".   

"A França é o país que organiza a própria UE e é quem mais tem possibilidade de se radicalizar por causa dos atentados, do grande fluxo de comunidades islâmicas. Há na França um crescimento do sentimento eurocético", diz Marcus Vinicius de Freitas, professor visitante da Blavatnik School of Government, da Universidade de Oxford, no Reino Unido.   

Outro país fundador da UE a ir às urnas em 2017 será a Holanda, onde o Partido para a Liberdade, do líder de extrema-direita e eurocético Geert Wilders, aparece na frente nas pesquisas para as eleições de 15 de março.   

Embora pequena, a Holanda tem um grande peso simbólico, já que ajudou a levantar o bloco e sediou a assinatura do acordo que o criou oficialmente, o Tratado de Maastricht, firmado em fevereiro de 1992. "Houve uma transformação na Holanda, que era historicamente um país pró-Europa. O surgimento de um partido tão virulentamente anti-europeu, ao menos na retórica, representa uma mudança profunda", explica o professor Kai Lehmann, do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (IRI-USP).   

Para o especialista, o caso holandês é semelhante ao da Itália, que sempre foi europeísta e hoje vê a ascensão do eurocético Movimento 5 Estrelas (M5S), liderado por Beppe Grillo. O partido defende a realização de um plebiscito para tirar o país do euro e entrará como forte candidato à vitória caso o presidente Sergio Mattarella decida antecipar as eleições para 2017.   

Alemanha - Também cercada pelo sentimento de descrença em relação a Bruxelas, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, tentará, no mês de setembro, conquistar seu quarto mandato consecutivo.   

Pragmática, a nação mais rica da UE deve reconduzir Merkel, líder da conservadora União Democrata-Cristã (CDU), ao governo, em uma grande coalizão com o Partido Social Democrata (SPD), mas as pesquisas apontam uma queda vertiginosa das duas siglas em relação a quatro anos atrás.   

Em 2013, a chanceler foi reeleita com 41,5% dos votos, enquanto o SPD obteve 25,7%, porém o cenário atual revela as duas legendas com 32% e 21% da preferência, respectivamente. O responsável por roubar esses votos é o partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD), de Frauke Petry, que deve despontar como a terceira força do Parlamento.   

"Merkel é a grande favorita, mas seria uma enorme surpresa se repetisse o resultado de quatro anos atrás. A CDU não sofre ameaça de não ser o maior partido, mas, obviamente, se perder 10 pontos em relação a 2013, Merkel entrará enfraquecida como chanceler", ressalta Lehmann. (Segue)
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