Ex-presidente italiano revolta oposição ao criticar eleições

ROMA, 01 FEV (ANSA) - O ex-presidente da Itália Giorgio Napolitano (2006-2015) revoltou líderes de oposição nesta quarta-feira (1º), ao defender a conclusão da atual legislatura, que vai até 2018, e criticar o pedido de boa parte do ambiente político por eleições antecipadas já em 2017.   

Aos 91 anos de idade, o ex-chefe de Estado afirmou que não é certo derrubar um governo apenas por "cálculo tático", discurso que segue a linha adotada pelo seu sucessor, Sergio Mattarella, que tem a prerrogativa de dissolver o Parlamento e chamar o país às urnas.   

"Nos países civilizados, as eleições acontecem no prazo natural, e para nós ainda falta um ano. Na Itália, houve um abuso do recurso às eleições antecipadas. Para tirar a confiança de um governo, é preciso acontecer alguma coisa", comentou Napolitano.   

Desde a queda do primeiro-ministro Matteo Renzi, em dezembro passado, por causa de sua derrota em um referendo constitucional, há uma crescente pressão para Mattarella convocar eleições antecipadas o mais rápido possível.   

Entre os que cobram a realização de um novo pleito parlamentar, estão os partidos ultranacionalistas Liga Norte e Irmãos da Itália (FDI), o antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S) e o próprio Renzi, que ainda possui um grande capital eleitoral e, como líder do centro-esquerdista Partido Democrático (PD), a maior legenda do país, seria candidato a voltar ao poder em uma eventual eleição.   

Contudo, esse desejo esbarra no atual presidente da República, que defende a estabilidade das instituições e a conclusão da atual legislatura. Além disso, uma ala do próprio PD que inclui o ex-primeiro-ministro Massimo D'Alema e o governador da Toscana, Enrico Rossi, é contra ir às urnas em 2017, assim como o conservador Força Itália (FI), de Silvio Berlusconi, e os pequenos grupos de centro-direita que sustentam a base aliada.   

No poder desde o fim do ano passado, o premier Paolo Gentiloni, membro do PD e ex-chanceler de Renzi, não se posiciona publicamente sobre a questão. "Nos países civis, quem trai o próprio povo é processado, não é mantido para sempre como parlamentar, presidente e senador", disse o líder da Liga Norte, Matteo Salvini, criticando as declarações de Napolitano, que também é senador vitalício.   

Já Giorgia Meloni, presidente do FDI, afirmou que a situação atual da Itália é uma "vergonha". "Chega de complôs palacianos.   

O povo soberano quer votar e escolher um governo que defenda seus interesses", acrescentou.   

Lei eleitoral - Um dos entraves que impedem a antecipação de eleições na Itália é a discrepância entre as leis eleitorais da Câmara e do Senado, que proporcionariam composições distintas nas duas Casas do Parlamento e dificilmente garantiriam a estabilidade de um governo.   

Mattarella já deixou claro que só aceita falar em ir às urnas quando os modelos eleitorais do Parlamento forem homogêneos. Um novo projeto começará a ser discutido pela Câmara no próximo dia 27 de fevereiro, mas, apesar da vontade dos partidos, é pouco provável que o texto seja aprovado rapidamente, dada a divisão presenciada no Congresso italiano. (ANSA)
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