Prefeita de Roma admite que já pensou em renunciar

ROMA, 03 FEV (ANSA) - Investigada pela Justiça da Itália, a prefeita de Roma, Virginia Raggi, admitiu nesta sexta-feira (3) que já pensou em renunciar ao cargo, no qual está há pouco mais de sete meses.   

Em entrevista ao canal "La7", a chefe municipal disse que as dificuldades enfrentadas por ela no comando da capital e maior cidade italiana "derrubariam até um touro". "Não posso falar que nunca pensei em me demitir, mas temos um grande projeto para Roma e que os romanos escolheram. Acho que mereço respeito", afirmou.   

Na última quinta-feira (2), Raggi foi interrogada durante oito horas pela Procuradoria de Roma sobre a indicação do assessor Renato Marra para um cargo na Secretaria de Turismo. Ele é irmão de Raffaele Marra, ex-chefe do departamento de pessoal da Prefeitura e preso em dezembro passado sob a acusação de corrupção.   

Raffaele fazia parte do núcleo duro do governo municipal e era "braço direito" de Raggi, mas acabou na cadeia em um inquérito que o acusa de ter recebido suborno de uma empreiteira em 2013, quando comandava o departamento de políticas habitacionais da cidade, no gabinete de centro-direita comandado pelo então prefeito Gianni Alemanno, também suspeito de corrupção.   

Em depoimento dado no fim do ano passado, Raggi havia negado qualquer participação na indicação de Renato, mas mensagens descobertas pelos investigadores no celular de Raffaele mostraram que os dois chegaram até a conversar sobre o salário do assessor da Secretaria de Turismo.   

As hipóteses avaliadas pela Procuradoria são de abuso de poder e falso testemunho, já que a prefeita não teria impedido um conflito de interesses na nomeação de Renato por Raffaele e teria mentido ao afirmar aos investigadores que não sabia da indicação.   

O inquérito também descobriu que Raggi é beneficiária de duas apólices de seguro de vida em nome de Salvatore Romeo, seu ex-chefe de gabinete, que renunciou após pressões do partido da prefeita, o antissistema e populista Movimento 5 Estrelas (M5S).   

Romeo era acusado por militantes do M5S de excluir outros membros da legenda das decisões da Prefeitura e de restringir o acesso à chefe municipal a um círculo restrito de aliados, incluindo Raffaele Marra. O que os investigadores ainda não sabem é se as apólices tinham fins "corruptivos".   

"Perguntarei a Romeo por que ele não me avisou e pedirei para ele mudar o beneficiário. Só a ideia dessa apólice me deixa nervosa", declarou Raggi.   

Eleita em junho do ano passado, na esteira do desencanto dos italianos com a classe política tradicional, a prefeita é a grande aposta do Movimento 5 Estrelas para mostrar que pode governar o país. No entanto, ela vem enfrentando constantes crises desde que chegou ao poder, principalmente ligadas à nomeação de sua equipe.   

Raggi é a primeira mulher a comandar Roma e assumiu a cidade com um discurso baseado na transparência e no combate intransigente à corrupção. (ANSA)
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