Testes de mísseis elevam tensão entre Irã e Arábia Saudita

TEERÃ E BEIRUTE, 6 FEV (ANSA) - Uma série de testes com mísseis no Iêmen estão elevando a tensão entre os governos da Arábia Saudita e do Irã, que têm posições opostas no conflito civil iemenita.   

Nesta segunda-feira (6), o Ministério da Defesa do Iêmen, que é controlado pelo rebeldes xiitas houthis, informou que fez o "lançamento de um míssil balístico contra objetivos militares na região de Riad", na Arábia Saudita, mas ressaltou que esse era um "teste de caráter excepcional" e não informou se a ação atingiu seu objetivo.   

Mais cedo, uma emissora árabe chegou a noticiar que a capital saudita foi "atacada", mas a informação não foi confirmada oficialmente. No entanto, rebeldes afirmaram à agência Saba, que é controlada pelos houthis, que o lançamento "foi um sucesso" e atingiu a base militar de al-Mazahmiya, que fica a mil quilômetros da capital iemenita Sanaa.   

Esse é mais um dos incidentes das últimas semanas entre os houthis e o governo saudita. Na última semana, o governo acusou os iemenitas de fazer um ataque com uma "embarcação-bomba" contra um navio de sua frota.   

Apesar dos ataques entre os rebeldes e o governo saudita, Riad acusa o Irã de apoiar e municiar os houthis, sendo então responsável pelos lançamentos de mísseis balísticos. Por sua vez, os rebeldes acusam a Arábia Saudita de não cumprir com um acordo de cessar-fogo e de continuar atacando civis no Iêmen.   

- Entenda o conflito: O conflito atual no Iêmen teve início nos primeiros meses de 2015, com uma insurreição dos houthis, de orientação xiita, apoiada pelo Irã. Alegando serem vítimas de discriminação por parte do presidente Abd Rabbo Mansour Hadi, eles deflagraram uma revolta e tomaram parte do país, incluindo a capital Sanaa. Isso motivou a reação das monarquias sunitas da Península Árabe, que, lideradas pela Arábia Saudita e com apoio dos EUA, formaram uma coalizão para combater os houthis. Desde então, o Iêmen convive com bombardeios quase diários e uma divisão que parece longe de ter fim. Para piorar, o país abriga uma das células mais ativas da Al Qaeda e vê o aumento da influência do grupo terrorista Estado Islâmico (EI). Desde outubro do ano passado, os EUA ajudam nos ataques aéreos - tendo sido esse também o primeiro país a receber um bombardeamento dos caças norte-americanos no início do governo Donald Trump.   

Os dois países - Iêmen e Irã -, inclusive, estão na lista dos sete países envolvidos no polêmico "banimento" promovido por Trump contra o "terrorismo".   

Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), a crise no Iêmen fez, até outubro do ano passado, mais de 180 mil pessoas deixarem o país, 51 mil delas fugindo para o vizinho Omã, e 39 mil, para a Arábia Saudita. (ANSA)
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