Aliado da prefeita de Roma é investigado por abuso de poder

ROMA, 06 FEV (ANSA) - Um dos principais assessores da Prefeita de Roma, Virginia Raggi, está sendo investigado pela Justiça da Itália por abuso de poder no inquérito que apura irregularidades em nomeações feitas pelo governo municipal.   

Salvatore Romeo, ex-chefe de gabinete de Raggi, foi intimado a prestar depoimento ao procurador da República em Roma, Francesco Dall'Olio, na próxima quarta-feira (8). Contudo, ainda não se sabe em qual indicação específica ele estaria implicado.   

A prefeita já é investigada por suspeita de abuso de poder e falso testemunho na nomeação do assessor Renato Marra para um cargo na Secretaria de Turismo. Ele é irmão de Raffaele Marra, ex-chefe do departamento de pessoal da Prefeitura e preso em dezembro passado sob a acusação de corrupção.   

Raffaele fazia parte do núcleo duro do governo municipal e era "braço direito" de Raggi, mas acabou na cadeia em um inquérito que o acusa de ter recebido suborno de uma empreiteira em 2013, quando comandava o departamento de políticas habitacionais da cidade, no gabinete de centro-direita do então prefeito Gianni Alemanno, também suspeito de corrupção.   

Em depoimento dado no fim do ano passado, Raggi havia negado qualquer participação na indicação de Renato, mas mensagens descobertas pelos investigadores no celular de Raffaele mostraram que os dois chegaram até a conversar sobre o salário do assessor da Secretaria de Turismo.   

As hipóteses avaliadas pela Procuradoria são de abuso de poder e falso testemunho, já que a prefeita não teria impedido um conflito de interesses na nomeação de Renato por Raffaele e teria mentido ao afirmar aos investigadores que não sabia da indicação.   

Romeo poderia estar envolvido nessa nomeação, mas a imprensa local também especula que ele será ouvido sobre sua própria promoção de simples funcionário da Prefeitura a chefe de gabinete de Raggi, com seu salário subindo de 39 mil para 110 mil euros por ano. Quando a Autoridade Nacional Anticorrupção (Anac) revelou o aumento, seus vencimentos voltaram ao patamar anterior.   

Foi Romeo quem apresentou Raggi a Raffaele Marra, após ter se aproximado da política quando ela era vereadora em Roma. Ele renunciou ao cargo de chefe de gabinete em dezembro passado, após pressões do partido da prefeita, o antissistema e populista Movimento 5 Estrelas (M5S), que o acusava de excluir outros membros da legenda das decisões da Prefeitura e de restringir o acesso à chefe municipal a um círculo restrito de aliados.   

Os investigadores também descobriram que, a partir de 2013, Romeo acumulou 130 mil euros investidos em apólices de seguro de vida, sendo que duas delas tinham a própria Raggi como beneficiária.   

Eleita em junho do ano passado, na esteira do desencanto dos italianos com a classe política tradicional, a prefeita é a grande aposta do Movimento 5 Estrelas para mostrar que pode governar o país. No entanto, ela vem enfrentando constantes crises desde que chegou ao poder, principalmente ligadas à nomeação de sua equipe.   

Raggi é a primeira mulher a comandar Roma e assumiu a cidade com um discurso baseado na transparência e no combate intransigente à corrupção. (ANSA)
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