Visando comércio, Temer e Macri se reúnem e abordam Mercosul

SÃO PAULO, 7 FEV (ANSA) - O presidente da Argentina, Mauricio Macri, faz nesta terça-feira (7) uma visita oficial ao Brasil, a primeira desde a sua posse, há 14 meses. O objetivo é reforçar a relação com o país vizinho, principalmente no âmbito comercial, em um momento em que as duas nações tentam eliminar barreiras e abrir o Mercosul para novos mercados, em resposta à política protecionista de Donald Trump nos Estados Unidos. O jornal argentino "La Nacion" destacou que a visita de Macri ocorre "em um momento de tormenta" para o Brasil, tanto do ponto de vista jurídico quanto político no governo Temer. "Mas, nesta simbólica reunião, os presidentes se concentrarão em temas econômicos para fortalecer e tornar mais dinâmica a relação bilateral dos dois principais sócios do Mercosul, além de tentarem abrir o bloco para o mundo a fim de gerar mais empregos, investimentos e retomar o crescimento dos dois países", escreveu o diário. A imprensa argentina também destacou que não são esperados grandes anúncios pós-encontro, mas que ele servirá mais para traçar diretrizes e inserir prazos para resolver entraves do Mercosul. Para o site "Infolatam", a reunião entre Macri e Temer tem a capacidade de abrir "uma nova era" no bloco, já que os dois presidentes concordam em tornar o Mercosul mais dinâmico, além de manterem vínculos ideológicos de centro-direita. A Argentina ocupa a presidência rotativa do Mercosul neste primeiro semestre e depois passará o cargo ao Brasil. Um dos temas do encontro entre Macri e Temer é a adoção de normas técnicas comuns (como as sanitárias e fitossanitárias) para reativar o bloco econômico e facilitar as negociações com terceiros mercados, como a União Europeia.   


No encontro entre as delegações dos dois países também serão discutidos problemas bilaterais, como o déficit argentino de US$ 4,3 bilhoes na balança comercial, que preocupa Macri. O empresário foi eleito presidente com a promessa de reduzir a inflação (que, em 2016, atingiu 40%) e a pobreza (que afeta um terço dos argentinos), além de atrair novos investimentos. Mas o primeiro ano de governo dele coincidiu com a recessão no Brasil e, agora, com a eleição de Donald Trump, que prometeu rever os acordos de integração comercial dos Estados Unidos. Neste ano, Macri (que está com 45% de aprovação), ainda enfrenta eleições legislativas e o desafio de conquistar maioria na Câmara dos Deputados e no Senado, onde hoje tem minoria.   


O Brasil, por sua vez, quer incluir a entrada do açúcar na união aduaneira - uma proposta a que a Argentina resistiu nos últimos 20 anos e que agora pode ser revista. Os argentinos produzem açúcar no norte do país e mantinham seu mercado fechado às importações do Brasil, alegando que os produtores brasileiros recebiam incentivos do governo.   


Outra questão que preocupa o Brasil é a nova lei argentina que incentiva a indústria automobilística a comprar autopeças produzidas no país. Os fabricantes de veículos na Argentina que tenham, no mínimo, 30% de conteúdo nacional, serão beneficiados por uma redução de impostos. O Brasil quer que suas autopeças sejam consideradas "nacionais" pelos argentinos.   


Para Macri, a relação com o Brasil é fundamental: 40% das exportações industriais argentinas são destinadas ao mercado brasileiro. E o Brasil tem um estoque de investimento de US$ 12 bilhões na Argentina. Tanto Macri quanto Temer estão apostando na retomada do crescimento econômico nos dois países e no fim da recessão. Com informações da Agência Brasil (ANSA)
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