'Propinas continuam existindo', diz promotor da Mãos Limpas

ROMA, 08 FEV (ANSA) - Responsável pela Operação Mãos Limpas, que desbaratou um vasto esquema de corrupção nos principais partidos da Itália, o ex-promotor Antonio Di Pietro afirmou nesta quarta-feira (8) que, passados 25 anos do início do inquérito, o sistema de propinas no poder público continua existindo.   

Participando de um programa na rádio universitária "Cusano Campus", em Roma, Di Pietro disse que há "muita amargura" na opinião pública sobre os efeitos da investigação conduzida por ele e "muita desilusão" sobre aquilo que se poderia fazer para combater a corrupção.   

"A prática de pagar propinas ainda está aqui, como antes. Houve um diagnóstico 25 anos atrás, não em um hospital, mas na Procuradoria da República, que identificou um tumor social que empobreceu os caixas do Estado, arruinou a livre concorrência, brutalizou a democracia política", declarou.   

Contudo, segundo o ex-promotor, ao invés de tratar do "câncer", a Itália preferiu "curar os médicos". "Agora o tumor se tornou uma metástase", disse Di Pietro, antes de propor a criação de uma "comissão histórica" para analisar os desdobramentos da Operação Mãos Limpas.   

"Faço uma proposta: por que não fazer uma análise histórica daquilo que aconteceu? Queremos nos perguntar por que pararam a 'Mãos Limpas', quem a parou e aonde ela poderia ter chegado?", questionou.   

Iniciada em 1992, a operação desvendou um disseminado esquema de propinas nos mais altos níveis políticos, econômicos e institucionais da Itália e levou ao desaparecimento de seus principais partidos, como a Democracia Cristã, que havia sido hegemônica no período do pós-guerra.   

Ao todo, os promotores obtiveram 1,2 mil condenações por corrupção e crimes correlatos e provocaram um terremoto político no país. Os três anos da investigação fortaleceram a desconfiança da população em relação aos partidos e também foram marcados por crise econômica, prisões e atentados da máfia.   

Mais tarde, sustentado por um amplo apoio popular, Di Pietro iniciou sua incursão na política e chegou a ser senador e ministro. Atualmente, não ocupa nenhum cargo público, mas continua participando do debate sobre os rumos do país.   

A "Mãos Limpas" serviu de inspiração para a Operação Lava Jato, que é conduzida pelo juiz Sérgio Moro e investiga ilegalidades envolvendo a Petrobras e os mais elevados escalões dos últimos governos do PT, incluindo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. (ANSA)
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