Após Olimpíadas, torneio de golfe vira polêmica na Itália

ROMA, 9 FEV (ANSA) - A votação de uma garantia financeira pública para a realização do tradicional torneio Ryder Cup de golfe em Roma, na Itália, voltou a colocar o governo e a oposição em "guerra" no país.   


A "cidade eterna" ganhou o direito de sediar a edição de 2022 do evento em dezembro de 2015, derrotando Áustria, Alemanha e Espanha, e tornando-se apenas o quarto país europeu a ter a chance de realizar o estrito torneio.   


A Ryder Cup é um evento bienal entre os melhores golfistas dos Estados Unidos e da Europa e é realizada desde 1926 - quando era disputada apenas por britânicos e norte-americanos. Até hoje, apenas a Espanha (1997) e a Irlanda (2006) - além da França (2018) - já sediaram a competição além do Reino Unido.   


Nesta quarta-feira (8), no entanto, a garantia para a realização do evento, na casa dos 97 milhões de euros, foi rejeitada pelo Senado da Itália. A medida foi colocada dentro do texto que analisava a questão da crise dos bancos populares no país e foi retirada pelos senadores. No Brasil, a prática de incluir uma medida dentro de outra lei é chamada de "jabuti".   


"O presidente [do Senado, Piero] Grasso não rejeitou a medida, mas classificou de inadmissível que a emenda do golfe fosse no decreto 'salva-banche'. Mas, isso não significa que a medida não possa tomar uma estrada diferente e obtenha consenso", disse o presidente da Federação Italiana de Golfe, Franco Chimenti.   


No entanto, a polêmica estava instaurada. Diversos membros da oposição começaram a questionar o projeto e a lisura de Chimenti em ressarcir os cofres públicos.   


"Eu não renuncio a esse projeto porque nós conquistamos isso. É um projeto honesto e são. Não haverá extravagâncias. Não posso aceitar esse ataque frontal, injusto e inadmissível. O projeto Ryder Cup vai adiante. Eu sou incapaz de roubar. A federação é testemunha da minha pontualidade", acrescentou ainda Chimenti.   


O ministro do Esporte da Itália, Luca Lotti, também se manifestou sobre o caso e pediu que o país "não negue essa oportunidade" apenas por "uma inútil apelação ao populismo".   


"O presidente Grasso não bloqueou a emenda em seu mérito e isso muitos fazem de conta de não entender. Quero ser claro: aqui não se discute o futuro de um ministro ou de uma federação, aqui se fala de um grande evento esportivo que representa uma ocasição histórica para o nosso país", disse ainda em nota Lotti.   


Criticando alguns senadores, que afirmam que a medida é para desviar dinheiro, o ministro ressaltou ainda que o evento deve injetar "cerca de 400 milhões de euros" na economia local, entre construções e empregos. "Todos aqueles que dizem não à Ryder, como lidam com esses números? Estão felizes em negar essa oportunidade aos italianos?", questionou ainda.   


Quem também se manifestou foi o presidente da Comitê Olímpico Nacional Italiano (Coni), Giovanni Malagò, que lembrou da desistência da cidade de Roma da disputa para ser sede dos Jogos Olímpicos de 2024 por uma decisão da prefeita Virginia Raggi, do partido populista Movimento Cinco Estrelas (M5S).   


"Se a realização corre risco? Aqui não é que o golfe ou o mundo do esporte que quer vencer uma candidatura. Ela já foi conquistada com responsabilidades já assumidas. A menos que a cidade queira fazer uma figura que vai se comentar por si só, nós não devemos pensar em outra coisa", disse Malagò lembrando de Roma 2024. (ANSA)
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