Jornal é criticado por machismo contra prefeita de Roma

ROMA, 10 FEV (ANSA) - Após apenas sete meses no cargo e cercada de escândalos relacionados a seus assessores, a prefeita de Roma, Virginia Raggi, foi mais uma vez assunto na Itália nesta sexta-feira, dia 10. Desta vez, no entanto, devido a um caso de machismo contra ela.   

A polêmica começou quando o jornal "Libero" publicou uma matéria cuja manchete era "Patata Bollente" ("Batata Quente", em tradução livre) sobre "a vida agridoce de Raggi".   

Em italiano, a expressão significa ter um problema nas mãos que precisa ser passado para outra pessoa. No entanto, a palavra "patata" também serve para designar o órgão sexual feminino.   

Sendo assim, o jogo de palavras feito na manchete afirma que a prefeita está em apuros, mas também insinua que ela já teria passado por muitas mãos. A "brincadeira", vista como de mal gosto por dezenas de políticos e pelos italianos em geral, também remete aos boatos de que Raggi teria tido um caso com seu ex-chefe de gabinete Salvatore Romeo.   

Os rumores ficaram mais fortes quando foi descoberto que a prefeita é beneficiária de duas apólices de seguro de vida em nome do político. Romeo renunciou ao cargo devido a pressões do seu partido, o Movimento 5 Estrelas (M5S), que o acusava de excluir outros membros da legenda das decisões da Prefeitura de Roma e de restringir o acesso a Raggi a um íntimo círculo de aliados.   

Além disso, no começo desta semana, a italiana também passou a ser investigada por ter assinado uma deliberação que determinou a promoção de Romeo e triplicou o salário dele.   

Algumas horas depois do episódio, Raggi comentou sobre o assunto no seu Facebook. "Há um pensamento velho que ofende não apenas a mim, mas tantas mulheres e homens. Quero revelar um segredo a estes intelectuais: um prefeito também pode ser uma mulher!". "Agradeço a todos, mulheres e homens, que hoje manifestaram a sua solidariedade a mim. Ah, já estava esquecendo. Quando pedirei o ressarcimento por difamação, obviamente eu farei isso, juntarei ao valor 1,50 euro que gastei para comprar pela primeira e última vez este jornal", concluiu a prefeita. Um dos primeiros a condenar a manchete foi o líder do M5S, Beppe Grillo, que na semana passada declarou publicamente seu apoio à prefeita. "Libero, aqui está a informação italiana!", comentou ironicamente o comediante no Twitter, incentivando seus seguidores a mandarem mensagens de protesto ao jornalista responsável pelo artigo e ao diretor da publicação.   

"Não sei se isso é machismo ou simplesmente idiotice, mas de qualquer maneira me enoja. Minha solidariedade a Virginia Raggi.   

A imprensa superou todos os limites", disse o vice-presidente da Câmara dos Deputados da Itália, Luigi Di Maio, também do M5S.   

A presidente da Casa, Laura Boldrini, também defendeu a prefeita romana, chamando o "Libero" de "jornalismo lixo". Por outro lado, o diretor da publicação, Vittorio Feltri, disse que o título não tinha um duplo sentido e que já havia sido usado para relatar as noitadas do ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi com a marroquina Karima El Mahroug, a Ruby, sem nenhuma reclamação.   

"Em 2011 foi feito o mesmo título para Ruby e ninguém disse nada. Se fazemos isso com Raggi não pode? Por quê? Dois pesos e duas medidas, que diferença há entre Raggi e Ruby? Não são duas pessoas dignas de respeito? [...] O duplo sentido, eventualmente, é dado por quem lê e não por quem escreve", afirmou Feltri. (ANSA)
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