EUA criticam palestino como enviado da ONU à Líbia

NOVA YORK, 11 FEV (ANSA) - Os Estados Unidos criticaram a indicação do ex-primeiro-ministro palestino Salam Fayyad como chefe da missão das Nações Unidas (ONU) na Líbia, a Unsmil, afirmando que sua decisão foi tomada em defesa de Israel.   

A embaixadora dos EUA na ONU, Nikki Haley, disse que o governo de Donald Trump ficou "decepcionado" com a escolha feita pelo novo secretário-geral da entidade, António Guterres, e ainda acusou a organização de ter sido "parcial em favor dos palestinos durante muito tempo".   

O nome de Fayyad foi indicado por Guterres na última quinta-feira (9), em substituição ao alemão Martin Kobler, que chefia a Unsmil desde 1º de novembro de 2015 e participou das negociações para a criação de um governo de unidade nacional na Líbia.   

O veto dos Estados Unidos acontece às vésperas da visita do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, a Washington, em 15 de fevereiro. "Essa é uma nova era na ONU, na qual os EUA apoiam decididamente Israel contra qualquer tentativa de prejudicar o Estado hebraico", declarou o embaixador israelense nas Nações Unidas, Danny Danon.   

Já o porta-voz de Guterres, Stéphane Dujarric, disse que a opção pelo palestino está baseada "exclusivamente em suas qualidades pessoais e em sua competência para o cargo". "Nenhum israelense ou palestino ocupou até hoje um posto de grande responsabilidade na ONU, e o secretário-geral acha que isso deve ser corrigido", acrescentou.   

Não se sabe se a candidatura de Fayyad será mantida após a objeção norte-americana, mas o fato é que Guterres não precisa necessariamente da autorização do Conselho de Segurança, onde os EUA têm poder de veto, para designar o novo emissário para a Líbia.   

"Para a Líbia e para a Itália, é uma péssima notícia. Se a hipótese de Fayyad não vingar, a missão da ONU no país pode cair no limbo em um momento muito delicado", explicou à ANSA Mattia Toaldo, analista do European Council on Foreign Relations.   

Segundo ele, a posição de Washington é "surpreendente".   

A Líbia é uma das sete nações de maioria islâmica incluídas no decreto anti-imigração de Trump e enfrenta um momento bastante conturbado, com um frágil governo de união nacional que vive ameaçado por tentativas de golpe, após um longo período dividida entre dois parlamentos.   

Além disso, o litoral do país está dominado por traficantes de seres humanos, que transformaram a rota migratória do Mediterrâneo Central, que vai até a Itália, na mais frequentada e mortal do planeta. Por isso, Roma está envolvida ativamente na resolução da crise na Líbia e até assinou um acordo com as autoridades locais para frear a imigração clandestina. (ANSA)
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