Otan eleva presença no Mar Negro e Putin critica provocação

BRUXELAS E MOSCOU, 16 FEV (ANSA) - Os ministros de Defesa que compõem a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) liberaram "duas medidas adicionais" para reforçar sua presença militar no Mar Negro.   

Segundo o anúncio do secretário-geral da entidade, Jens Stoltenberg, trata-se de "um aumento da presença naval no Mar Negro para treinamento, exercícios e 'situation awareness'" e também para a "função de coordenação da Força Naval para operar conjuntamente com outras forças aliadas".   

Stoltenberg ressaltou que a decisão de hoje é "uma clara demonstração de unidade e de firmeza da Otan e manda uma clara mensagem a qualquer agressor em potencial", ressaltando que essas são operações apenas de "defesa".   

Falando diretamente contra os russos, o líder da Otan afirmou que "não contra-atacaremos à Rússia soldado por soldado, carro armado por carro armado e aéreo por aéreo: o nosso objetivo é só prevenir um conflito e não provocá-lo".   

No entanto, não é isso que pensa o presidente russo, Vladimir Putin, segundo a agência de notícias local Tass.   

Durante uma reunião com os representantes da FSB, a agência russa de serviços de informações - que sucedeu a agência secreta KGB, o mandatário afirmou que a Otan tenta constantemente "provocar" seu governo e "interferir nos assuntos internos dos países para desestabilizar a situação política e social" da região.   

"A contenção da Rússia é oficialmente a nova missão da Otan. A ampliação além do bloco é endereçada a esse objetivo. Foram acelerados os processos de deslocamento de armamentos estratégicos e não fora das fronteiras nacionais dos Estados principais que fazem parte da Aliança", disse ainda o presidente.   

Para Putin, esse movimento "sempre" existiu, mas agora a entidade "acredita ter encontrado uma motivação mais séria".   

A presença da Otan no Mar Negro, de fato, aumentou desde que a Rússia anexou o território da Crimeia, que pertencia à Ucrânia, em 2013. Desde então, sanções econômicas foram aplicadas contra os russos, acusados de querem desestabilizar o país vizinho e de enviar tropas para outras regiões do país - como Donetsk e Lugansk.   

Apesar de não fazer parte da Otan, o governo de Kiev tem recebido particular apoio da maior parte dos membros do bloco e causado constante embates entre os dois lados da crise.   

- Outros países: Durante a sessão matinal da reunião dos ministros, foi analisado ainda o caso de Estônia, Lituânia, Letônia e Polônia, que terão quatro batalhões multinacionais. Ficou decidido que eles estarão "plenamente operacionais até junho", segundo Stoltenberg.   

Quem também recebeu atenção nos debates foi a Líbia. De acordo com declaração do líder da Otan, a junta provisória que governa o país pediu ajuda à entidade.   

"Ontem à noite, recebi um pedido formal por parte do premier líbio Fayez al Serraj, que pediu a consultoria e a experiência da Otan na capacidade de construir as instituições de segurança e defesa. O pedido foi recebido pelo Conselho Atlântico que discutirá como levá-la adiante o mais rápido possível", disse ainda Stoltenberg. (ANSA)
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