Renzi renuncia à liderança do PD para conter racha

ROMA, 19 FEV (ANSA) - O ex-primeiro-ministro da Itália, Matteo Renzi, confirmou hoje (19) sua renúncia à secretaria do Partido Democrático (PD), posto que ocupava desde 2013, em meio à maior crise interna registrada na história da legenda, que há uma década une movimentos de centro e de esquerda. Desde dezembro passado, quando deixou o cargo de primeiro-ministro após seu governo ser derrotado em um referendo constitucional, Renzi é alvo de críticas de uma ala minoritária no PD que o acusa de gerenciar o partido pelas suas próprias convicções. Nos últimos dias, representantes desta ala, como Enrico Rossi, governador da Toscana, Roberto Speranza, líder do PD na Câmara dos Deputados, e Michele Emiliano, governador da Puglia, ameaçaram deixar o partido, provocando um racha, caso Renzi não renunciasse. A confirmação da renúncia veio hoje, durante a assembleia do PD, que já estava agendada há tempos e que contou com a presença do atual primeiro-ministro da Itália, Paolo Gentiloni, o qual poderia ter seu governo prejudicado caso o partido se rompesse. Com a renúncia, Renzi abre caminho para eleições internas no PD, as quais o ex-premier já anunciou que concorrerá. "Não se pode pedir para uma pessoa não se candidatar às eleições, ameaçando uma cisão no partido", disse o ex-prefeito de Florença. "Vocês têm o direito de me derrotarem, mas não de me eliminar da disputa", concluiu. "Cisão é uma das piores palavras. A única palavra pior é chantagem", criticou Renzi. Uma ruptura do PD poderia comprometer o governo de Gentiloni, formado às pressas com a renúncia de Renzi como primeiro-ministro, e cuja função principal é guiar a Itália até a aprovação de uma nova lei eleitoral para a realização de eleições gerais. Além disso, a instabilidade italiana correria o risco de inflar os ânimos de partidos extremistas, em um momento em que a União Europeia enfrenta a saída do Reino Unido da zona do euro, uma das piores crises imigratórias das últimas décadas, e o crescimento de movimentos ultranacionalistas na França, na Holanda e na Alemanha. Na assembleia de hoje do PD, ficou concordado que o congresso do partido deverá ocorrer em abril, sem data marcada. Mas a minoria do partido ainda está descontente com a possibilidade de Renzi concorrer às eleições pela secretaria novamente. (ANSA)
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