Convocado a depor, Fillon nega desistência na França

PARIS, 01 MAR (ANSA) - O candidato conservador à Presidência da França, François Fillon, e sua esposa, Penelope, foram convocados para depor nos dias 15 e 18 de março, respectivamente, no caso que investiga supostos "empregos fantasmas" envolvendo o casal.   

A informação é do jornal "Le Figaro". Na manhã desta quarta-feira (1º), Fillon conversou com os caciques do partido Os Republicanos, inclusive o ex-presidente Nicolas Sarkozy e o ex-primeiro-ministro Alain Juppé, em meio aos crescentes rumores sobre uma desistência.   

Os dois foram derrotados por Fillon nas primárias da direita, mas especula-se que o presidenciável poderia sair da disputa e abrir caminho para Juppé. No entanto, o candidato se pronunciou nesta quarta e disse que continua na corrida pelo Palácio do Eliseu.   

"Essa eleição presidencial tem sido um assassinato, é a democracia violentamente golpeada", declarou Fillon, garantindo que atenderá à convocação dos juízes. "Eu não cederei, não vou me retirar", acrescentou, pedindo a seus eleitores para "resistirem".   

De favorito a vencer as eleições, o conservador vem perdendo espaço nas últimas semanas para o dissidente socialista Emmanuel Macron por conta do escândalo apelidado de "PenelopeGate". Na manhã desta quarta, Fillon cancelou de última hora uma visita ao Salão de Agricultura de Paris, dando combustível aos boatos sobre uma possível desistência.   

Membro do partido conservador Os Republicanos, ele é suspeito de ter empregado a esposa em um cargo fictício de assessora parlamentar, tanto em seu gabinete de deputado como no de seu suplente. Penelope teria recebido pelo menos 800 mil euros durante seu período como funcionária da Assembleia Nacional.   

Os dois filhos do casal também trabalhavam na mesma função, ganhando 57.084 euros cada um. A contratação de parentes para cargos públicos não é ilegal na França, mas suspeita-se que a família não exercia de fato as funções.   

Além disso, também está sendo investigada uma colaboração da esposa do candidato para a revista de literatura "Revue des Deux Mondes", comandada por um amigo de Fillon, Marc Ladreit de Lacharrière. Em 15 meses, a publicação teria pagado 100 mil euros para Penelope, que escreveu apenas algumas resenhas nesse período.   

O caso provocou uma queda de Fillon nas pesquisas e forçou o candidato a admitir que tinha errado, embora ele negue ter cometido qualquer ato ilícito. De acordo com as últimas sondagens, o conservador tem cerca de 20% das intenções de voto, atrás de Macron, que tem entre 24% e 25%, e da ultranacionalista Marine Le Pen (Frente Nacional), que oscila entre 26% e 27%.   

Tanto Fillon quanto Macron venceriam Le Pen no segundo turno.   

(ANSA)
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