Itália institui dia em memória de vítimas da máfia

ROMA, 01 MAR (ANSA) - A Câmara dos Deputados da Itália aprovou nesta quarta-feira (1º), de maneira definitiva, o projeto de lei que institui o "Dia Nacional da Memória e do Compromisso em Lembrança das Vítimas da Máfia", que será comemorado sempre no início da primavera boreal, em 21 de março.   

A iniciativa recebeu 418 votos a favor e nenhum contrário. A data não será feriado no país, mas as instituições de ensino serão convidadas a, com os recursos disponíveis, promoverem ações voltadas à sensibilização sobre o valor histórico da luta contra organizações mafiosas.   

Também está prevista a realização de manifestações e cerimônias públicas para lembrar todos aqueles que perderam a vida pelas mãos da máfia. "Essa lei é um ato devido à memória daqueles que morreram por causa da violência da máfia, tanto magistrados de primeiro nível como crianças empenhadas simplesmente em viver e crescer", declarou o deputado Davide Mattiello.   

No entanto, o parlamentar ressaltou que a iniciativa não deve ser considerada um "ato de pacificação". "Não pode haver paz sem verdade, e quando falamos de vítimas da máfia, falamos de mais de 70% dos crimes sem culpados", acrescentou.   

Já a presidente da Comissão Antimáfia da Câmara, Rosy Bindi, disse que o projeto marca um avanço de "grande valor simbólico".   

"A aprovação da lei testemunha a vontade das instituições de tornar patrimônio vivo e fecundo o exemplo daqueles que caíram sob os golpes da violência mafiosa".   

O "Dia Nacional da Memória e do Compromisso em Lembrança das Vítimas da Máfia" já é comemorado extraoficialmente desde 1996, por iniciativa da Libera, entidade que reúne diversas associações que lutam contra a violência do crime organizado.   

Uma lista elaborada pela organização reúne pouco menos de 800 inocentes mortos pela máfia na Itália desde 1893, sendo que a maior parte desses assassinatos foi registrada a partir da década de 1980. Os nomes mais ilustres da relação são os dos juízes Giovanni Falcone e Paolo Borsellino, mortos pela siciliana Cosa Nostra no início dos anos 1990.   

Além desta, os principais grupos mafiosos do país são a Camorra, de Nápoles, e a 'ndrangheta, da Calábria. (ANSA)
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