Renzi chama Grillo de 'sujo' por acusá-lo de abandonar pai

ROMA, 04 MAR (ANSA) - O ex-primeiro-ministro da Itália Matteo Renzi publicou neste sábado (4) uma carta aberta ao líder do maior partido de oposição do país, Beppe Grillo, criticando-o duramente por tê-lo acusado de abandonar seu pai, Tiziano Renzi, que é investigado por tráfico de influência.   

Na última sexta-feira (3), durante um programa de TV, o ex-premier havia dito que caso seu genitor fosse condenado, mereceria uma "pena dobrada" por ser parente de político. Um dia depois, Grillo escreveu em seu blog que o "reciclador", apelido com o qual Renzi ganhou fama na Itália, tinha conseguido "reciclar" apenas o pai.   

Além disso, o humorista, que é líder e fundador do antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S), acusou o ex-primeiro-ministro de atirar Tiziano no "vaso sanitário". "Você, caro Grillo, fez uma coisa suja: disse que eu reciclo meu pai. Você entrou na dinâmica mais profunda e íntima - a dimensão humana entre pai e filho - sem qualquer respeito. De modo violento", rebateu Renzi.   

O ex-premier ainda explicou que está "do lado dos juízes" e que a declaração sobre seu pai ganhar uma "pena dobrada" era uma "provocação". "Disse que espero que a sentença chegue rapidamente, porque quem escreve as sentenças são os juízes, não os blogs, nem mesmo os jornais", acrescentou.   

Renzi também afirmou que é "difícil" falar assim sobre uma investigação contra seu pai, mas que esse é o único modo de respeitar as instituições. "Atire-se como uma hiena nas investigações, se quiser, caro Beppe Grillo, mas não te permita falar da relação humana entre mim e meu pai. Porque você não sabe do que está falando e não conhece os valores com os quais eu cresci", escreveu o ex-premier.   

Para finalizar, Renzi disse esperar que o líder do M5S se envergonhe por ter atingido um "nível tão baixo". Poucos minutos depois, Grillo fez a sua "tréplica" e declarou que o adversário é uma "gafe existencial".   

Tiziano Renzi é suspeito de ter usado seu nome para levar a Consip, central de aquisições de bens e serviços do governo italiano, a fechar contratos com o grupo imobiliário do empresário Alfredo Romeo, preso na última quarta-feira (1º).   

De acordo com a Guarda de Finanças, o pai do ex-primeiro-ministro mantinha relações próximas com o CEO da Consip, Luigi Marroni, e, ao lado do também empresário e amigo Carlo Russo, teria induzido Romeo a prometer "vantagens de conteúdo econômico" em troca de sua mediação.   

Tiziano depôs por mais de três horas na última sexta-feira, em Roma, negou as denúncias e afirmou que se aproveitaram de seu sobrenome. (ANSA)
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