Na França, líderes defendem 'diferentes velocidades' na UE

PARIS, 06 MAR (ANSA) - O presidente da França, François Hollande, recebeu nesta segunda-feira (6), em Versailles, nos arredores de Paris, os primeiros-ministros da Itália, Paolo Gentiloni, e da Espanha, Mariano Rajoy, e a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, para discutir o futuro da União Europeia.   

A cúpula ocorreu a menos de 20 dias para as comemorações pelos 60 anos dos Tratados de Roma, que fundaram a Comunidade Europeia. A ocasião será celebrada em 25 de março, quando a capital italiana receberá os líderes da UE para tentar relançar o bloco.   

No encontro desta segunda, Hollande, Merkel, Gentiloni e Rajoy concordaram que a União Europeia precisa ter velocidades de integração diferentes, uma ideia que já havia sido ventilada pela chanceler alemã em janeiro passado.   

Criar vários modos de incorporação ao bloco seria uma forma de combater o crescente sentimento eurocético dentro de suas fronteiras, que já levou à aprovação da saída do Reino Unido. "É preciso uma Europa mais integrada, mas que permita diferentes níveis de integração. É normal que os países possam ter ambições diferentes, e que existam respostas diversas a essas ambições, mantendo o projeto comum", disse o primeiro-ministro da Itália.   

A declaração encontrou eco no anfitrião Hollande, que afirmou que os Estados-membros da União Europeia devem demonstrar "solidariedade", mas também capacidade de "avançar em ritmos diferentes". Assim como Merkel, que salientou que Bruxelas precisa ter a "coragem" de aceitar que alguns países sigam em frente "mais rapidamente que outros".   

"Se pararmos aquilo que construímos, tudo pode desabar. Temos a obrigação de continuar a construção europeia", acrescentou a chanceler. Por sua vez, Rajoy, alçado ao restrito grupo dos principais líderes da UE, destacou que o bloco é um "caso de sucesso" e que é necessário obter "mais integração".   

Com a saída do Reino Unido, Alemanha, França Itália e Espanha serão as quatro maiores potências demográficas e econômicas da União Europeia. Mostrando uma sintonia nunca antes vista, esses países devem ditar os rumos das discussões sobre o futuro do bloco daqui para frente.   

É provável que essa nova UE com diferentes velocidades de integração seja lançada no aniversário de 60 anos dos Tratados de Roma, em uma espécie de resposta de Bruxelas ao avanço do populismo no mundo. (ANSA)
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