Violência contra mulher é 'emergência', diz Mattarella

ROMA, 8 MAR (ANSA) - Mesmo com protestos, neste 8 de março, o presidente da Itália, Sergio Mattarella, falou sobre quantos "obstáculos, incompreensões e preconceitos" que as mulheres ainda têm que enfrentar e destacou a importância de uma luta nacional e internacional contra o feminicídio. Durante seu já tradicional discurso no Dia Internacional da Mulher, realizado todos os anos no Palácio do Quirinale, sede da Presidência da República, em Roma, o mandatário ressaltou que o feminicídio é "uma emergência social trágica e inquietante". Sobre o assunto, Mattarella também falou que o projeto de lei sobre a proteção dos filhos de mães assassinadas pelos namorados e maridos, que passou pela Câmara no último dia 3, deve ser aprovado o mais rápido possível em via definitiva. "Espero uma rápida e definitiva aprovação do projeto que cuida da proteção dos filhos das mulheres mortas pelos próprios companheiros. Tem um grande significado a aprovação na Câmera por unanimidade de uma medida que garante um futuro de dignidade e esperança" a essas crianças, afirmou o presidente italiano.   

O discurso de Mattarella vem há uma semana da Corte Europeia de Direitos Humanos ter condenado a Itália por não ter agido de maneira suficiente para proteger uma mulher e seu filho de atos de violência doméstica cometidos pelo marido. O crime aconteceu Remanzacco, na província de Udine, em novembro de 2013, quando o companheiro de Elisaveta Talpis matou o filho do casal, de 19 anos, e tentou matar a esposa, que já havia denunciado o homem à polícia anteriormente.   

O feminicídio na Itália tem grandes proporções e é um dos problemas mais graves do país atualmente, com a morte de mais de 100 mulheres por ano devido a agressões de homens, principalmente conhecidos das vítimas.   

Até junho do ano passado, por exemplo, mais de 50 mulheres morreram devido à ação violenta de parentes e companheiros. A lista de assassinatos inclui desde uma criança de 3 anos até uma idosa de 80 e muitas vezes são acompanhados de violências sexuais.   

Um dos crimes deste tipo que mais chocou o país no ano passado foi a morte de uma menina de apenas 9 anos que foi encontrada nua na piscina de uma casa em San Salvatore Telesino, na região da Campânia. O principal suspeito do caso é um romeno de 21 anos que, antes de matar a menina, a estuprou.   

Além disso, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (Istat), mais de 7 milhões de mulheres italianas dizem ter sofrido alguma forma de abuso durante sua vida. Nesta quarta-feira (8), o presidente italiano também agradeceu a todas as italianas pelas suas "cotidianas, e muitas vezes cansativas, ações em favor de uma sociedade mais igual, mais acolhedora, mais solidária e mais integrada". "Promover e defender as mulheres, os seus direitos, a sua proteção, o seu trabalho e a sua inserção nos processos decisivos significa abrir concretamente as perspectivas de paz", afirmou Mattarella. "Temos a obrigação de remover todos os obstáculos de natureza econômica, social e de hábito mental, que ainda impedem que tantas mulheres atinjam níveis apicais e igualdade de pagamento", disse o mandatário. Mantendo a cerimônia do Dia da Mulher mesmo com os protestos na parte de fora do Quirinale, o presidente também lançou um apelo "à outra metade da população italiana, aquela masculina". "Os homens também devem saber se colocar na discussão e renunciar qualquer forma de reserva mental", disse Mattarella. (ANSA)
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