Nápoles vive 'guerra' com visita de líder da extrema-direita

NÁPOLES, 11 MAR (ANSA) - Manifestantes e policiais entraram em confronto neste sábado (11) em Nápoles, na Itália, durante uma visita à cidade do líder do partido de extrema-direita Liga Norte, Matteo Salvini.   

Dezenas de pessoas correram pelas ruas em pânico e pediram refúgio a comerciantes e lojistas, que fechavam as portas dos negócios, enquanto policiais e manifestantes trocavam agressões com bombas molotov, pedras e gases de efeito moral. Carros foram destruídos e viadutas acabaram sendo incendiadas.   

Uma coluna de fumaça negra impedia a visibilidade, mas, mesmo assim, os manifestantes carregavam faixas contra a polícia e contra o facismo.   

Salvini visitou Nápoles para participar de um comício político no espaço de convenção Mostra d'Oltremare. Apesar de toda a região ficar cercada pela polícia, os manifestantes conseguiram se aproximar do local do comício e lançar bombas contra uma delegacia no bairro de Fuorigrotta.   

O líder da Liga Norte culpou o prefeito de Nápoles, Luigi De Magistris, pelos confrontos, já que o político autorizou hoje de manhã o protesto popular que reuniu cerca de duas mil pessoas. "É escandaloso que um ex-juiz, infelizmente prefeito, espero que por pouco tempo, decida quem pode e quem não pode vir a Nápoles", disse Salvini. Ele também ameaçou processar De Magistris pelas críticas que fizera nos últimos dias. "Em relação a tudo que ele disse nesses dias, será levado a um tribunal onde, qualquer juiz, tomara que mais equilibrado que ele, possa decidir se é um insulto ou não".   

De Magistris, que já acusou diversas vezes Salvini de fazer apologia ao facismo, ao racismo e à xenofobia, defendeu-se dizendo que "o governo se esforçou para prevalecer o desejo, o 'capricho', de Salvini de querer fazer comício em Mostra d'Oltremare". "Ninguém tirou os direitos de Salvini, mesmo que em algumas declarações ele faça apologia ao facismo", afirmou o prefeito, que é ex-magistrado, ex-membro do partido Itália de Valores (IDV) e criador do Movimento Democracia Autônoma.   

Já a Liga Norte é um partido que defende o norte da Itália.   

Fundado em 1991, era separatista. Atualmente, defende o conservadorismo, o eurocepticismo, a antiglobalização e as políticas contrárias a imigrantes. (ANSA)
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