Itália rejeita moção de desconfiança contra ministro Lotti

ROMA, 15 MAR (ANSA) - Os senadores italianos rejeitaram nesta quarta-feira (15) um pedido de moção de desconfiança contra o ministro do Esporte, Luca Lotti, acusado de vazar informações sigilosas da Consip, a central de aquisições de bens e serviços do governo italiano.   

Foram 161 votos contra o pedido apresentado pelo Movimento Cinco Estrelas (M5S), 52 a favor e duas abstenções.   

Lotti está sendo investigado pela Justiça italiana por revelar "segredos" da função sobre o caso que analisa problemas na Consip. A acusação afirma que ele teria informado dirigentes da existência de uma investigação interna sobre desvios.   

"Os fatos são claros. Nunca avisei o engenheiro [Luigi] Marroni, nem nenhum outro alto dirigente da Consip, nem passei nenhuma informação da investigação. Nunca. Apoiar isso significa cometer o crime da calúnia porque isso nunca aconteceu", disse em sua defesa aos senadores.   

Lotti ainda destacou que essa moção de desconfiança, que poderia tirá-lo do cargo de ministro, "coloca em discussão o que tenho de mais precioso: a minha moralidade que está acima do meu papel político". "Com muita humildade peço a vocês para rejeitar com determinação essa tentativa", acrescentou o ministro.   

O político, que é um dos mais próximos aliados do ex-premier Matteo Renzi, afirmou que o pedido de moção do opositor M5S não é "para atingir aquilo que sou, o ministro do Esportes", mas sim para "colocar em discussão o esforço reformista feito nestes anos".   

- Entenda o caso: No dia 21 de dezembro do ano passado, um diretor da Consip, a central de compras de produtos e serviços da administração pública italiana, foi convocado para depor ao lado do empresário Alfredo Romeo.   

Os dois são suspeitos de crime por associação para delinquir e de corrupção porque teriam participado de um esquema para favorecer as empresas de Romeo em troca de dinheiro para o diretor.   

Além dos depoimentos, policiais fizeram uma ação de busca e apreensão, no mesmo dia, na casa e nos escritórios do empresário italiano. O caso foi descoberto durante outra investigação contra as empresas de Romeo e, através de interceptações telefônicas, foi possível iniciar as análises.   

Em 27 de dezembro, Lotti prestou seu primeiro depoimento para a Justiça sobre o caso e negou as acusações, dizendo que "nunca teve conhecimento sobre investigações" internas.   

Neste ano, no dia 1º de março, Romeo foi preso por suspeita de corrupção e, na mesma investigação, o pai do ex-premier Renzi, Tiziano, também é investigado por tráfico de influência. Ele é suspeito de ter usado seu nome para levar a Consip a fechar contratos com o grupo imobiliário de Romeo. O pai do ex-primeiro-ministro nega as acusações. (ANSA)
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