Declaração de líder do Eurogrupo causa revolta na Itália

ROMA, 22 MAR (ANSA) - Uma polêmica declaração do holandês Jeroen Dijsselbloem, presidente do Eurogrupo, órgão que reúne os ministros de Economia da zona do euro, causou revolta na Itália e na Espanha e ameaça provocar um racha na esquerda europeia.   

Em entrevista ao jornal alemão "Frankfurter Allgemeine Zeitung", Dijsselbloem criticou o comportamento dos países do sul da Europa que sofreram com uma dura crise econômica nos últimos anos e tiveram de recorrer a Bruxelas para obter empréstimos ou flexibilidade em seus orçamentos.   

"Durante a crise do euro, os países do norte demonstraram solidariedade com as nações afetadas. Como social-democrata, dou grande importância à solidariedade. Mas também existem deveres.   

Não se pode gastar todo o dinheiro em álcool e mulheres e depois pedir ajuda", disse o chefe do Eurogrupo, que pertence ao Partido Trabalhista da Holanda, por sua vez filiado ao Partido dos Socialistas Europeus (PSE).   

A declaração provocou reações imediatas em países como Itália e Espanha, que, ao lado de Portugal e Grécia, foram os mais atingidos pela crise. Em um post em seu perfil no Facebook, o ex-primeiro-ministro italiano Matteo Renzi, um dos principais expoentes do PSE, cobrou a renúncia imediata de Dijsselbloem.   

"O presidente do Eurogrupo perdeu uma ótima ocasião para ficar calado. Em uma entrevista a um jornal alemão, se deixou levar por piadas estúpidas - não encontro palavras melhores - contra os países do sul da Europa, a começar por Itália e Espanha. Acho que gente como Dijsselbloem, que até pertence ao Partido dos Socialistas Europeus, ainda que não tenha percebido, não merece o lugar que ocupa. O quanto antes ele se demitir, melhor", escreveu.   

Renzi ainda lembrou que o Partido Trabalhista sofreu uma dura derrota nas eleições na Holanda, há uma semana, e obteve apenas 5,7% dos votos. "Isso nos diz que é certo combater os populistas, mas é preciso fazê-lo sem deixar de ser popular. Do contrário, torna-se engrenagem da tecnocracia. Há líderes na Europa que se esforçam para receber o voto de parentes próximos", acrescentou.   

O líder dos socialistas europeus, o também italiano Gianni Pittella, foi outro a criticar o suposto aliado. "Não é a primeira vez que Dijsselbloem exprime opiniões econômicas e políticas que contradizem a linha da família progressista europeia", disse.   

Já o ministro de Economia da Espanha, Luis de Guindos, de orientação conservadora, chamou as declarações do presidente do Eurogrupo de "infelizes". "Esperava que ele fosse se retratar", afirmou o espanhol, após Dijsselbloem ter se recusado a pedir desculpas, negando tratar-se de uma disputa "norte contra sul".   

No entanto, Guindos não cobrou a renúncia do holandês, embora seja cotado para substituí-lo.   

Ministro de Economia de seu país desde 2012, Dijsselbloem pode perder o cargo devido à debacle de seu partido nas últimas eleições, vencidas pelo premier liberal Mark Rutte. Na ocasião, outras legendas superaram o Partido Trabalhista e devem ocupar seu espaço no governo.   

Com isso, a continuidade de Dijsselbloem no comando do Eurogrupo ficaria inviável. (ANSA)
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