O dia que a Europa chorou por 2 atentados,Londres e Bruxelas

Por Beatriz Farrugia SÃO PAULO, 22 MAR (ANSA) - No dia em que a Europa chorava o aniversário de um ano dos atentados terroristas de Bruxelas, o coração de Londres foi sacudido por um ataque em frente ao Parlamento que deixou ao menos quatro mortos e 20 feridos. Um homem atropelou dezenas de pessoas na ponte de Westminster antes de esfaquear um policial nas imediações do palácio parlamentar, fazendo Londres reviver o caos e o estresse dos ataques de 2005.   

De acordo com as primeiras investigações, o agressor é Trevor Brooks, filho de jamaicanos, mas nascido no Reino Unido. Teria se convertido ao Islã aos 18 anos de idade, mudando seu nome para Abu Izzadeen. Vinha sendo monitorado pelos serviços de inteligência britânicos desde 2006 por "pregar o ódio", mas foi excluído das listas suspeitas em 2015. Foram necessárias apenas duas horas desde o atentado até o anúncio da Scotland Yard de que se tratava de um caso de "terrorismo". A dúvida que pairou, porém, recaía sobre as motivações do crime.   

Se, por um lado, as ameaças de extremismo islâmico permanecem altas em toda a Europa, por outro, crescem também os movimentos de extrema-direita, nacionalistas com tendências fascistas, que na semana passada protagonizaram episódios com bombas em Paris.   

O cenário se torna mais complexo ainda devido ao momento político enfrentado pelo Reino Unido: o divórcio da União Europeia (UE). Marcado para começar oficialmente em 29 de março, o "Brexit" provoca reações opostas entre britânicos e europeus e coloca em xeque o futuro e a estabilidade do bloco. Enquanto o pânico se disseminava pelas ruas do bairro de Westminster, a primeira-ministra britânica, Theresa May, responsável por realizar a saída do país da UE, estava no Parlamento para compromissos oficiais. Líderes europeus lamentaram o atentado e demonstraram solidariedade ao Reino Unido, mas foi o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que se dispôs a ajudar May a "encontrar os culpados" pelo crime.   

Defensor do "Brexit", Trump já restringiu o acesso aos EUA de cidadãos de seis países islâmicos e ordenou que nenhum item eletrônico, como computadores, câmeras e tablets, fique em bagagens de mão em voos provenientes de países do Oriente Médio e da África. Tudo isso para evitar atentados terroristas, de acordo com a Casa Branca. Mas o ataque ao Parlamento ocorreu em um dos moldes mais usados pelos extremistas islâmicos nos últimos dois anos: atropelamento e esfaqueamento. Brooks jogou um carro contra o público em cima da ponte de Westminster e, em seguida, bateu na barreira de segurança do Parlamento. O agressor deixou o veículo com uma faca, atingiu um policial, mas logo foi morto por outros agentes. Nas redes sociais, apoiadores de grupos extremistas, como o Estado Islâmico (EI, também chamado "Daesh", em árabe), celebraram o atentado e disseram que esta seria uma vingança pelo "sangue derramado" em Mossul, no Iraque, considerada a capital do "Isis", mas tomada de volta pelas forças de Bagdá com o apoio da coalizão internacional. Até o momento, no entanto, nem EI nem outros grupos terroristas reivindicaram a autoria do ato. Há exatamente um ano, três homens que apoiavam o Estado Islâmico mataram 35 pessoas com bombas no aeroporto de Bruxelas e na estação de metrô de Maelbeek. A capital da União Europeia, Bruxelas, e a capital do Brexit, Londres, foram unidas na história por uma data: 22 de março.   

(ANSA)
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